O diagnóstico da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) no influenciador Lito Sousa reacendeu o debate sobre essa enfermidade rara e de rápida evolução. Especialistas destacam a importância do suporte ao paciente e da orientação para os familiares.
Em Marília (SP), o professor da Unesp, Vitor Engrácia Valenti, aprofundou estudos sobre a doença após acompanhar um caso em 2021. Ele observa que o comprometimento da fala é um sinal marcante, frequentemente confundido por médicos no início do quadro.
Valenti enfatiza que, sem possibilidade de cura, a conduta médica deve focar em cuidados paliativos, que visam aliviar a dor e oferecer suporte psicológico aos familiares. “É fundamental o acompanhamento psiquiátrico para a família, que também sofre”, afirma.
O relato de Sílvia Zampoli, de Jundiaí, ilustra a gravidade da doença. Ela acompanhou a rápida progressão da enfermidade em seu pai, que levou apenas sete meses entre os primeiros sintomas e o óbito.
A DCJ é uma doença priônica, causada por uma proteína anormal que destrói neurônios. No Brasil, a maioria dos casos ocorre em pessoas entre 55 e 74 anos, e cerca de 90% dos pacientes evoluem para óbito entre seis meses e um ano após o início dos sintomas.
O diagnóstico é feito por meio de avaliações clínicas e exames de imagem, além do exame RT-QuIC, que ajuda a confirmar casos suspeitos. Não existe tratamento que reverta a DCJ, e os cuidados se concentram no manejo dos sintomas e suporte ao paciente.
