Integrantes da diplomacia do governo brasileiro avaliam que um possível recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos seria mais simbólico do que prático, servindo para ‘marcar posição’ do Brasil.
Na última quinta-feira, o governo dos EUA anunciou um novo conjunto de tarifas sobre produtos brasileiros. Em resposta, o Palácio do Planalto classificou a medida como ‘completamente arbitrária e injustificada’ e anunciou que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade e levar o assunto à OMC.
Diplomatas afirmaram que a ação na OMC teria caráter ‘simbólico’, sem expectativa de resultados concretos. A OMC, criada em 1995, tem como objetivo reduzir barreiras comerciais e garantir condições justas no comércio internacional.
Historicamente, a OMC já foi crucial em disputas comerciais, como em 2004, quando o Brasil venceu uma disputa contra subsídios dos EUA ao algodão, permitindo a imposição de sanções no valor de US$ 830 milhões.
Desde a divulgação da nota sobre a OMC e a Lei de Reciprocidade, entidades empresariais têm defendido a continuidade das negociações em vez de retaliações, para evitar uma escalada de tensões com o governo americano. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) expressou preocupação com a decisão dos EUA, mas ressaltou a confiança na diplomacia brasileira para encontrar soluções.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) também comentou que a decisão dos EUA ‘agrava’ o acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, mas não apoia a reciprocidade como resposta.
