São Paulo está envelhecendo, e essa mudança no perfil da população trouxe novos desafios para a saúde pública. No início dos anos 1990, cerca de 40% dos paulistas eram crianças ou adolescentes; hoje, esse grupo representa 24%. Já a parcela de idosos saltou de 7% para 17%, e o número de pessoas com 60 anos ou mais triplicou, passando de 2,4 milhões para 7,6 milhões.
Essa transformação demográfica é destaque da série especial do SP1 em parceria com o g1 sobre as eleições, mostrando como o estado mudou desde a redemocratização. Há três décadas, o foco era reduzir a mortalidade infantil e ampliar o acesso aos serviços básicos, com doenças infecciosas, desnutrição, diarreia e pneumonia entre as principais causas de adoecimento e morte de crianças.
Com o avanço do saneamento, vacinação e atenção primária, a expectativa de vida em São Paulo atingiu o maior nível da história: 77 anos e dois meses. No entanto, viver mais trouxe o aumento de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, câncer e problemas cardiovasculares, que exigem acompanhamento contínuo e uma rede de saúde integrada.
“Hoje precisamos olhar o paciente de forma integral. As doenças crônicas exigem acompanhamento constante e uma rede de saúde coordenada, em que os diferentes serviços conversem entre si”, afirma Laura Schiesari, pesquisadora do FGV Saúde. A mudança também aumentou a pressão por consultas com especialistas, exames e cirurgias, além de evidenciar a necessidade de reduzir filas de espera.
A saúde mental ganhou destaque, especialmente após a pandemia de Covid-19, que intensificou ansiedade, alterações do sono e irritabilidade, ampliando a procura por atendimento psicológico e psiquiátrico. A mentora Andreia Paula Silva, de Diadema, conta que perdeu a disposição para atividades cotidianas e encontrou na dança uma forma de cuidar do bem-estar.
O envelhecimento também trouxe uma nova perspectiva: os idosos de hoje chegam à velhice com mais autonomia e projetos de vida. A professora Luzia Komatsu, de 79 anos, ensina lian gong e pretende chegar aos 100 anos com saúde. Para Diego Félix Miguel, presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-SP, o sistema de saúde precisa se preparar para atender uma população que vive mais e demanda tratamentos complexos, com uma rede especializada e bem distribuída.
