domingo, 23 de agosto de 2026
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Dossiê de 421 páginas revela 26 anos de concertos da Société Musicale Indépendante

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Dossiê de 421 páginas revela 26 anos de concertos da Société Musicale Indépendante
Dossiê de 421 páginas revela 26 anos de concertos da Société Musicale Indépendante

Um dossiê de 421 páginas, resultado de uma investigação liderada por pesquisadores franceses em parceria com a professora e pianista Danieli Verônica Longo Benedetti, da Unesp, foi lançado oficialmente em 18 de junho. O trabalho reúne a documentação completa dos 172 concertos organizados pela Société Musicale Indépendante (SMI) entre 20 de abril de 1910 e 3 de maio de 1935.

Os registros – programas, correspondências e matérias de imprensa – estão disponíveis ao público na plataforma digital Dezède, rede colaborativa de arquivamento de espetáculos na França, que conta com apoio do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS).

Até então, a principal referência sobre a SMI era o livro “L’avant‑garde musicale et ses sociétés à Paris de 1871 à 1939”, de Michel Duchesneau (1997). O novo dossiê, elaborado a partir de março de 2022, amplia essa base ao incluir anexos que detalham a trajetória da sociedade fundada por Maurice Ravel e outros oito músicos.

Em 1910, nove compositores assinaram o manifesto de fundação da SMI como resposta ao conservadorismo da Société Nationale de Musique (SNM), órgão subvencionado pelo governo francês e marcado por um forte nacionalismo pós‑Guerra Franco‑Prussiana. Diferente da SNM, os “independentes” buscavam divulgar música contemporânea sem restrição de escola ou nacionalidade.

Após a Primeira Guerra Mundial, a SMI entrou em sua fase mais produtiva, incorporando compositores estrangeiros e criando um comitê internacional com nomes como Béla Bartók, Manuel de Falla, Arnold Schönberg, Alfredo Casella, George Enescu e Igor Stravinsky. “Os compositores tocados na SMI trouxeram à música todo tipo de pesquisa relacionada às inovações composicionais, ou seja, o auge da música contemporânea”, diz a professora do Instituto de Artes da Unesp.

O dossiê também destaca a participação de mulheres compositoras – 29 autoras em 51 concertos, cerca de 30 % do total – e a influência de Nadia Boulanger, responsável por manter a sociedade ativa até 1935. “Na sociedade nacional, por exemplo, as mulheres não tiveram o direito de participar do comitê diretivo. Diferente dos ‘independentes’. Inclusive a SMI não teria sobrevivido até 1935 sem uma mulher, Nadia Boulanger, grande responsável pelas atividades da sociedade em seus últimos anos de existência”, afirma a docente.

Entre os brasileiros citados, estão os compositores Heitor Villa‑Lobos (concertos de 1928 e 1929), Oswaldo Guerra (concerto‑número 100, 1924) e Luciano Gallet (exibição de 1933). O documento também registra cinco intérpretes brasileiros, como as cantoras Elsie Houston e Julieta de Menezes, que apresentaram obras de Villa‑Lobos e Gallet nos palcos da SMI.

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