Pesquisa da USP mostra que o índice de massa corporal (IMC) da mãe antes e durante a gestação tem maior relação com o peso dos filhos na pré-escola do que os marcadores glicêmicos da gravidez. O estudo reforça a importância do acompanhamento multiprofissional e da prevenção da obesidade infantil desde o pré-natal.
Realizada por Eloise da Silva Lima, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, a pesquisa analisou 362 duplas de mães e filhos atendidos no Serviço Especial de Saúde de Araraquara (Sesa). Foram avaliados fatores como idade gestacional, marcadores metabólicos e IMC materno, além do estado nutricional das crianças entre 4 e 5 anos.
Os resultados indicaram que os marcadores glicêmicos maternos (glicemia, insulina e índice HOMA) não apresentaram associação com o IMC das crianças. Por outro lado, o IMC materno, tanto antes quanto durante a gestação, mostrou associação positiva com o IMC dos filhos na idade pré-escolar.
“Os resultados destacam a importância do cuidado com o estado nutricional da mulher antes e durante a gestação como uma possível estratégia para a prevenção da obesidade infantil”, conclui a pesquisadora. O estudo está inserido em uma coorte prospectiva que acompanhou mulheres desde o pré-natal em Araraquara, interior de São Paulo.
Em 2020, dados da Atenção Primária à Saúde do SUS apontaram que 15,9% das crianças menores de 5 anos e 31,7% das de 5 a 9 anos apresentavam excesso de peso. A pesquisa da USP contribui para orientar políticas públicas de prevenção da obesidade infantil, com foco no acompanhamento nutricional materno.