sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emSão Paulo, Vida e Saúde

Contaminação em reagentes pode distorcer estudos de mutação em bactérias

Contaminação em reagentes pode distorcer estudos de mutação em bactérias
Contaminação em reagentes pode distorcer estudos de mutação em bactérias
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Pesquisadores da USP descobriram que a contaminação por fósforo em reagentes considerados livres desse elemento pode distorcer estimativas de mutação em bactérias Escherichia coli, com possíveis impactos no desenvolvimento de defensivos agrícolas. O estudo foi publicado no Journal of Bacteriology.

A equipe do Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (Cepid B3), sediado no Instituto de Química (IQ) da USP, investigou o sistema Phn da E. coli, que permite à bactéria usar fosfonato como fonte alternativa de alimento. Em laboratório, mutações no gene phnE inativam esse sistema, e os cientistas mediram a frequência com que essas mutações eram revertidas espontaneamente.

Os resultados mostraram que, quanto menor o número inicial de bactérias, maior parecia ser a taxa de reversão. No entanto, ao usar células ‘limpadoras’ ou filtrar o meio de cultura para remover contaminações, a frequência de reversão caiu para cerca de 1 em cada 10 milhões. A contaminação por fósforo no meio de cultura favorecia o crescimento bacteriano, aumentando a probabilidade de reversões.

“Interpretar de forma incorreta a frequência de mutantes pode levar a conclusões equivocadas sobre processos adaptativos”, alerta Beny Spira, autor do estudo e pesquisador do Cepid B3 e do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP. Ele destaca que reagentes usados em experimentos raramente são totalmente puros e que pequenas contaminações podem influenciar significativamente os resultados.

O estudo também sugere que a inativação do sistema Phn pode ser vantajosa em ambientes com pouco fosfonato, como o intestino de mamíferos, onde manter o sistema ativo seria um gasto energético desnecessário. Cerca de 15% das linhagens de E. coli analisadas não possuem o sistema funcional.

Os pesquisadores pretendem agora analisar centenas de cepas de E. coli para determinar a frequência do sistema Phn funcional. Compreender a distribuição desse sistema em comunidades microbianas pode ajudar a prever o destino de fosfonatos no solo e aprimorar o uso de defensivos agrícolas, tornando-os mais eficientes e sustentáveis.

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