Uma coleção com entre 12 mil e 15 mil exemplares de plantas, incluindo espécies ameaçadas e raras da Mata Atlântica, foi incorporada ao Herbário SPFR da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. O material, que pertencia ao Herbário Guido Pabst, estava em Carangola (MG) e foi transportado para Ribeirão Preto em junho.
A coleção dobra o acervo atual do herbário, que passará de cerca de 20 mil para mais de 30 mil exsicatas, e amplia de 29 para 71 o número de espécimes-tipo — exemplares que servem como referência oficial para identificação de espécies. “Em termos simples, um herbário comum guarda plantas para estudo. Um herbário com materiais-tipo guarda também alguns dos documentos originais da biodiversidade”, explica o professor Milton Groppo, curador do Herbário SPFR.
Grande parte das amostras foi coletada na região do Alto Caparaó, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, área que abriga remanescentes de Mata Atlântica com espécies endêmicas. A coleção também possui registros da Serra do Brigadeiro e de reservas particulares. Uma análise preliminar já identificou pelo menos uma espécie nova para a ciência e mais de 60 registros de espécies em perigo de extinção.
A oportunidade de receber o acervo surgiu da relação de Groppo com o botânico Lúcio de Souza Leoni, curador do Herbário Guido Pabst e um dos maiores coletores de plantas do Brasil. Leoni, que já realizou mais de 16 mil coletas, procurou a USP no início de 2026 para oferecer o material. “A sobrevivência do acervo está diretamente ligada ao trabalho de Leoni”, destaca Groppo.
O herbário leva o nome de Guido Frederico João Pabst (1914-1980), botânico especialista em orquídeas que descreveu mais de 180 espécies. A incorporação do acervo será feita em etapas: cada exemplar será registrado, acondicionado, fotografado e digitalizado. As informações serão disponibilizadas na plataforma SpeciesLink. A expectativa é que o trabalho leve de dois a três anos.
Para Groppo, o aumento não é apenas quantitativo. “Isso representa um salto enorme em valor científico, relevância institucional e capacidade de pesquisa. O herbário passa a preservar uma documentação mais ampla da biodiversidade brasileira e reforça seu papel como centro de referência para estudos botânicos.” A aquisição e o transporte tiveram apoio da FFCLRP, do Departamento de Biologia e da Fapesp.
