sábado, 22 de agosto de 2026
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Herbário da USP em Ribeirão Preto recebe coleção com espécies ameaçadas da Mata Atlântica

Herbário da USP em Ribeirão Preto recebe coleção com espécies ameaçadas da Mata Atlântica
Herbário da USP em Ribeirão Preto recebe coleção com espécies ameaçadas da Mata Atlântica
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Uma coleção com entre 12 mil e 15 mil exemplares de plantas, incluindo espécies ameaçadas e raras da Mata Atlântica, foi incorporada ao Herbário SPFR da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. O material, que pertencia ao Herbário Guido Pabst, estava em Carangola (MG) e foi transportado para Ribeirão Preto em junho.

A coleção dobra o acervo atual do herbário, que passará de cerca de 20 mil para mais de 30 mil exsicatas, e amplia de 29 para 71 o número de espécimes-tipo — exemplares que servem como referência oficial para identificação de espécies. “Em termos simples, um herbário comum guarda plantas para estudo. Um herbário com materiais-tipo guarda também alguns dos documentos originais da biodiversidade”, explica o professor Milton Groppo, curador do Herbário SPFR.

Grande parte das amostras foi coletada na região do Alto Caparaó, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, área que abriga remanescentes de Mata Atlântica com espécies endêmicas. A coleção também possui registros da Serra do Brigadeiro e de reservas particulares. Uma análise preliminar já identificou pelo menos uma espécie nova para a ciência e mais de 60 registros de espécies em perigo de extinção.

A oportunidade de receber o acervo surgiu da relação de Groppo com o botânico Lúcio de Souza Leoni, curador do Herbário Guido Pabst e um dos maiores coletores de plantas do Brasil. Leoni, que já realizou mais de 16 mil coletas, procurou a USP no início de 2026 para oferecer o material. “A sobrevivência do acervo está diretamente ligada ao trabalho de Leoni”, destaca Groppo.

O herbário leva o nome de Guido Frederico João Pabst (1914-1980), botânico especialista em orquídeas que descreveu mais de 180 espécies. A incorporação do acervo será feita em etapas: cada exemplar será registrado, acondicionado, fotografado e digitalizado. As informações serão disponibilizadas na plataforma SpeciesLink. A expectativa é que o trabalho leve de dois a três anos.

Para Groppo, o aumento não é apenas quantitativo. “Isso representa um salto enorme em valor científico, relevância institucional e capacidade de pesquisa. O herbário passa a preservar uma documentação mais ampla da biodiversidade brasileira e reforça seu papel como centro de referência para estudos botânicos.” A aquisição e o transporte tiveram apoio da FFCLRP, do Departamento de Biologia e da Fapesp.

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