Nos dias 28 e 29 de julho, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) sediou o 3º Encontro da Comunidade Métricas, reunindo pesquisadores, dirigentes e servidores de diversas instituições brasileiras. O evento compartilhou experiências e resultados sobre o monitoramento do desempenho acadêmico das universidades, com foco nos impactos social, econômico, científico e ambiental.
“Receber esse terceiro encontro da Comunidade Métricas na Esalq, no ano em que completamos 125 anos, é muito especial. Como egressa do Métricas, passei a incorporar praticamente todos os conceitos e princípios que aprendemos no curso na gestão desta escola e, ao mesmo tempo, incentivo cada vez mais colegas a se engajar no projeto, a pensar a Universidade de uma forma diferente”, afirmou a diretora da Esalq, Thais Vieira.
O encontro, promovido pelo Projeto Métricas, integra o Curso de Atualização em Métricas de Desempenho Acadêmico e Comparações Internacionais e serve como oportunidade de integração para participantes e ex-participantes do projeto. O coordenador do Projeto Métricas e ex-reitor da USP, Jacques Marcovitch, destacou três aspectos importantes das métricas: a definição de prioridades institucionais, a conexão com a sociedade e a revelação da qualidade das universidades.
Durante os dois dias, os participantes conheceram projetos de pesquisa e inovação no campus da USP de Piracicaba, visitaram o Palacete Luiz de Queiroz e acompanharam a evolução de seis planos de transformação institucional. Os reitores Aluísio Segurado (USP), Raiane Assumpção (Unifesp), Maysa Furlan (Unesp), Ana Beatriz de Oliveira (UFSCar), Paula Homem de Mello (UFABC) e o coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, debateram os desafios das universidades públicas para os próximos anos.
Na primeira rodada, o tema foi a incorporação responsável da inteligência artificial (IA) no ensino, pesquisa, extensão e administração. Os dirigentes discutiram iniciativas em andamento e destacaram a importância da regulamentação, capacitação e questões éticas. Em seguida, debateram métricas que priorizem o impacto social e a conexão com a sociedade, mencionando indicadores como desempenho de egressos, impacto econômico de empresas universitárias e transformação territorial.
O reitor da USP, Aluísio Segurado, reforçou o desafio de manter o modelo de financiamento baseado na cota fixa da arrecadação estadual. “Esse desafio não é apenas dos dirigentes das universidades, mas é também de cada membro da Comunidade Métricas, que vem promovendo uma mudança de cultura institucional, enfatizando a gestão de dados como uma ferramenta de inteligência para o planejamento, monitoramento e avaliação de desempenho”, explicou.
O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, defendeu que as universidades aumentem sua representação política e participação no cenário brasileiro, especialmente diante da reforma tributária. A reitora da Unesp, Maysa Furlan, ressaltou o impacto da universidade na economia dos municípios e sua atuação em 24 cidades do estado. A reitora da UFSCar, Ana Beatriz de Oliveira, destacou a importância de tornar visível o valor público do conhecimento produzido nas universidades.
Raiane Assumpção, da Unifesp, defendeu a construção de métricas “com” as pessoas, enquanto Paula Homem de Mello, da UFABC, alertou para o desenvolvimento de métricas responsáveis, evitando manipulação de dados. Os reitores também discutiram a cooperação universitária com instituições chinesas em ciência, tecnologia e inovação.