A Escola de Segurança Multidimensional (ESEM) do Instituto de Relações Internacionais da USP realizou, entre abril e junho, o curso “Crime Organizado e Mercados Ilícitos para Jornalistas”, destinado a profissionais da Folha de S.Paulo.
O programa, desenvolvido em parceria com o jornal e com apoio financeiro da Philip Morris Brasil, analisou a atuação do crime organizado no Brasil e no exterior, abordando lavagem de dinheiro, infiltração nas cadeias produtivas, modelos operacionais das organizações criminosas, expansão transnacional e a ligação entre crime e terrorismo.
Coordenado por Fábio Ramazzini Bechara e Leandro Piquet Carneiro, o curso examinou operações do sistema de justiça criminal contra organizações criminosas, a lógica da cooperação entre agências e estratégias para ampliar o rastreamento de fluxos financeiros. Bechara afirmou: “compreender a lógica da convergência criminal é fundamental para analisar como as diferentes dinâmicas criminais interagem entre si. Elas não estão hierarquicamente sobrepostas nem podem ser compreendidas separadamente. Pelo contrário, estão profundamente interconectadas”.
A jornalista Alexa Salomão, com mais de 30 anos de experiência em economia, finanças, energia e agronegócio, relatou que passou a lidar com pautas de crime organizado ao perceber investidores avaliando o “risco PCC”. Ela explicou que a Operação Lava Jato mudou a forma de cobertura, e acrescentou: “O curso ampliou minha visão para como o crime organizado pode estar mais enraizado do que se imaginava e como a infiltração na política pode estar entrando na formulação das leis”. Fernanda Mena, mestre em direitos humanos e repórter especial da Folha, destacou a importância de entender as dinâmicas do crime organizado em rede, afirmando: “Foi muito interessante poder parar para aprender sobre as dinâmicas do crime organizado e como elas se relacionam com outras dinâmicas lícitas e legais às quais nem sempre prestamos atenção”.
O corpo docente contou com especialistas como Michael Miklaucic, Ivan Marques, Lincoln Gakiya, Marcia Meng, Cristian Vianna, Togzhan Kassenova e Melina Risso. Bechara concluiu: “Considerando a importância do jornalismo e da imprensa livre numa democracia, quanto mais qualificada a informação, melhor a capacidade dos jornalistas de exercerem o controle da transparência, principalmente dos atores estatais”.
