Um cortejo da centenária companhia de reis “Ases do Brasil” abriu, na noite desta terça-feira (28), na sala Gabriel Garcia Marquez, do Memorial da América Latina, em São Paulo, a exposição de fotografias “Os Rostos do Campo: a Poética do Encontro de Carlos Rodrigues Brandão” – o antropólogo, educador, escritor e professor emérito da Unicamp, morto em 2023. A mostra integra os eventos comemorativos pelos 60 anos de fundação da Universidade e apresenta a fotografia como um potente instrumento de pesquisa e documentação.
Organizada pelo Centro de Memória da Unicamp (CMU), com apoio do Consulado Geral do México, a exposição reúne cerca de 230 fotografias produzidas ao longo de décadas de pesquisas de campo realizadas por Brandão. As imagens registram comunidades rurais, manifestações da religiosidade popular, povos indígenas e diferentes modos de vida no Brasil e no México. A curadoria é da diretora do CMU, Maria Silvia Hadler, e da pós-doutoranda Iara Rolim.
“Tive de ver essas imagens muitas e muitas vezes de forma a encontrar uma linha narrativa, afinal, estamos contando uma história”, pondera Rolim, que selecionou as fotos de um universo de mais de 4 mil imagens do acervo do CMU. “O Brandão sempre foi uma pessoa ligada à poesia, à música. Ele tinha um olhar para a fotografia também diferente. Então, a ideia era que essas imagens também falassem desse outro lado dele, não apenas do pesquisador, mas de um intelectual com essa sensibilidade para o mundo das artes”, explica.
As imagens de Brandão traduzem uma forma de habitar o mundo. Mostram o cotidiano do homem do campo, na lavoura ou na cuidadosa lida com os animais, e manifestações religiosas, como a festa do divino em São Luiz do Paraitinga-SP, a folia de reis em Mossâmedes-GO ou as cavalhadas em Pirenópolis-GO. O acervo inclui também fotos do período em que o antropólogo viveu no México, em 1966, com a esposa Maria Alice, retratando o cotidiano da cidade de Pátzcuaro e arredores.
De acordo com Hadler, muita gente ainda não conhece o lado fotógrafo de Brandão. “Mostram as peculiaridades da vida cotidiana e as manifestações da cultura popular”, afirma. O coordenador-geral da Unicamp, professor Fernando Coelho, lembrou que a Universidade completa 60 anos no dia 5 de outubro e que a exposição no Memorial é um dos eventos mais importantes das comemorações. “Eu tenho certeza absoluta que começa nesse momento uma grande parceria do Memorial do América Latina e Universidade de Campinas”, disse.
O presidente da Fundação Memorial da América Latina, Pedro Mastrobuono, assumiu o compromisso de estender a exposição para além do prazo inicial de um mês. “Vai ficar aqui por três meses, quatro meses, cinco meses; pelo tempo que a Unicamp quiser”, disse. A abertura contou ainda com a presença do cônsul-adjunto do Consulado Geral do México em São Paulo, José Alberto Limas Gutiérrez, e do diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, professor Ronaldo Rômulo Machado de Almeida.
