sábado, 22 de agosto de 2026
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Exposição no Memorial da América Latina celebra 60 anos da Unicamp com fotos de Carlos Brandão

Exposição no Memorial da América Latina celebra 60 anos da Unicamp com fotos de Carlos Brandão
Exposição no Memorial da América Latina celebra 60 anos da Unicamp com fotos de Carlos Brandão
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Um cortejo da centenária companhia de reis “Ases do Brasil” abriu, na noite desta terça-feira (28), na sala Gabriel Garcia Marquez, do Memorial da América Latina, em São Paulo, a exposição de fotografias “Os Rostos do Campo: a Poética do Encontro de Carlos Rodrigues Brandão” – o antropólogo, educador, escritor e professor emérito da Unicamp, morto em 2023. A mostra integra os eventos comemorativos pelos 60 anos de fundação da Universidade e apresenta a fotografia como um potente instrumento de pesquisa e documentação.

Organizada pelo Centro de Memória da Unicamp (CMU), com apoio do Consulado Geral do México, a exposição reúne cerca de 230 fotografias produzidas ao longo de décadas de pesquisas de campo realizadas por Brandão. As imagens registram comunidades rurais, manifestações da religiosidade popular, povos indígenas e diferentes modos de vida no Brasil e no México. A curadoria é da diretora do CMU, Maria Silvia Hadler, e da pós-doutoranda Iara Rolim.

“Tive de ver essas imagens muitas e muitas vezes de forma a encontrar uma linha narrativa, afinal, estamos contando uma história”, pondera Rolim, que selecionou as fotos de um universo de mais de 4 mil imagens do acervo do CMU. “O Brandão sempre foi uma pessoa ligada à poesia, à música. Ele tinha um olhar para a fotografia também diferente. Então, a ideia era que essas imagens também falassem desse outro lado dele, não apenas do pesquisador, mas de um intelectual com essa sensibilidade para o mundo das artes”, explica.

As imagens de Brandão traduzem uma forma de habitar o mundo. Mostram o cotidiano do homem do campo, na lavoura ou na cuidadosa lida com os animais, e manifestações religiosas, como a festa do divino em São Luiz do Paraitinga-SP, a folia de reis em Mossâmedes-GO ou as cavalhadas em Pirenópolis-GO. O acervo inclui também fotos do período em que o antropólogo viveu no México, em 1966, com a esposa Maria Alice, retratando o cotidiano da cidade de Pátzcuaro e arredores.

De acordo com Hadler, muita gente ainda não conhece o lado fotógrafo de Brandão. “Mostram as peculiaridades da vida cotidiana e as manifestações da cultura popular”, afirma. O coordenador-geral da Unicamp, professor Fernando Coelho, lembrou que a Universidade completa 60 anos no dia 5 de outubro e que a exposição no Memorial é um dos eventos mais importantes das comemorações. “Eu tenho certeza absoluta que começa nesse momento uma grande parceria do Memorial do América Latina e Universidade de Campinas”, disse.

O presidente da Fundação Memorial da América Latina, Pedro Mastrobuono, assumiu o compromisso de estender a exposição para além do prazo inicial de um mês. “Vai ficar aqui por três meses, quatro meses, cinco meses; pelo tempo que a Unicamp quiser”, disse. A abertura contou ainda com a presença do cônsul-adjunto do Consulado Geral do México em São Paulo, José Alberto Limas Gutiérrez, e do diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, professor Ronaldo Rômulo Machado de Almeida.

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