A exposição “Thank You, Jane!” chegou à Biblioteca Florestan Fernandes, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, e ficará em cartaz até 28 de agosto, celebrando o 250.º aniversário da escritora britânica Jane Austen e os 50 anos da Unesp.
Jane Austen (1775‑1817), autora de seis romances publicados anonimamente sob a rubrica “By a Lady”, é apontada como marco da literatura e do movimento feminista pela professora Natália Corrêa Barcellos, da Unesp. “Por meio de uma escrita única, marcada pelo discurso indireto livre e pela ironia, Austen publicou livros de forma anônima, assinados By a Lady (por uma mulher), para não manchar o nome de sua família”, afirmou Barcellos na palestra de abertura.
A mostra reúne, entre outros objetos, reproduções de vestimentas da baixa aristocracia rural inglesa do século XVIII‑XIX. Uma peça azul‑clara com detalhes rosa e babados brancos, acompanhada de um chapéu de aba larga, representa as roupas da época em que Austen nasceu.
Barcellos expõe as camadas de roupa usadas pela autora na vida adulta: o shift, camisola branca que absorvia o suor; o stays, um espartilho georgiano que “acomoda o corpo, não é igual ao vitoriano, feito para diminuir a cintura, porque a silhueta desejada aqui era a com grande busto”; o pettycoat, saia interna que garantia aquecimento; e, por fim, um vestido simples, ajustável por amarração abaixo dos seios.
Segundo a professora, a adaptabilidade das vestimentas reflete o contexto das guerras napoleônicas (1803‑1815), quando a economia inglesa era precária. “A situação econômica era muito precária para a Inglaterra e esses vestidos eram completamente adaptáveis aos corpos femininos. A mulher podia ter um filho, engordar, emagrecer, ter outro filho e ele ainda vai caber, porque sua estrutura alarga e volta”, explicou.
A exposição também apresenta a réplica de uma colcha de retalhos feita por Austen, sua mãe e sua irmã Cassandra, encontrada na vila de Chawtown, em Hampshire, além de sapatilhas da época. Barcellos destacou que a única reprodução feita com a mesma técnica da original na América Latina foi produzida “a cem mãos” em projetos de extensão na Unesp, ressaltando a importância do trabalho manual feminino. “Não existia máquina de costura, elas costuravam tudo à mão, muitas vezes no escuro. Era um fazer passado de mulher para mulher”, concluiu.