sábado, 22 de agosto de 2026
Postado emSão Paulo

Exposição celebra 250 anos de Jane Austen na USP

Exposição celebra 250 anos de Jane Austen na USP
Exposição celebra 250 anos de Jane Austen na USP
Publicidade

A exposição “Thank You, Jane!” chegou à Biblioteca Florestan Fernandes, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, e ficará em cartaz até 28 de agosto, celebrando o 250.º aniversário da escritora britânica Jane Austen e os 50 anos da Unesp.

Jane Austen (1775‑1817), autora de seis romances publicados anonimamente sob a rubrica “By a Lady”, é apontada como marco da literatura e do movimento feminista pela professora Natália Corrêa Barcellos, da Unesp. “Por meio de uma escrita única, marcada pelo discurso indireto livre e pela ironia, Austen publicou livros de forma anônima, assinados By a Lady (por uma mulher), para não manchar o nome de sua família”, afirmou Barcellos na palestra de abertura.

A mostra reúne, entre outros objetos, reproduções de vestimentas da baixa aristocracia rural inglesa do século XVIII‑XIX. Uma peça azul‑clara com detalhes rosa e babados brancos, acompanhada de um chapéu de aba larga, representa as roupas da época em que Austen nasceu.

Barcellos expõe as camadas de roupa usadas pela autora na vida adulta: o shift, camisola branca que absorvia o suor; o stays, um espartilho georgiano que “acomoda o corpo, não é igual ao vitoriano, feito para diminuir a cintura, porque a silhueta desejada aqui era a com grande busto”; o pettycoat, saia interna que garantia aquecimento; e, por fim, um vestido simples, ajustável por amarração abaixo dos seios.

Segundo a professora, a adaptabilidade das vestimentas reflete o contexto das guerras napoleônicas (1803‑1815), quando a economia inglesa era precária. “A situação econômica era muito precária para a Inglaterra e esses vestidos eram completamente adaptáveis aos corpos femininos. A mulher podia ter um filho, engordar, emagrecer, ter outro filho e ele ainda vai caber, porque sua estrutura alarga e volta”, explicou.

A exposição também apresenta a réplica de uma colcha de retalhos feita por Austen, sua mãe e sua irmã Cassandra, encontrada na vila de Chawtown, em Hampshire, além de sapatilhas da época. Barcellos destacou que a única reprodução feita com a mesma técnica da original na América Latina foi produzida “a cem mãos” em projetos de extensão na Unesp, ressaltando a importância do trabalho manual feminino. “Não existia máquina de costura, elas costuravam tudo à mão, muitas vezes no escuro. Era um fazer passado de mulher para mulher”, concluiu.

📬 Receba as notícias de MT no seu e-mail

Cadastre-se gratuitamente e receba os destaques da semana


    Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn
    📬
    Fique por dentro de São Paulo Receba as principais notícias no seu e-mail, gratuitamente.


      ← Anterior Sol e calor voltam a SP; frente fria traz chuva fraca na quarta Próxima → Sebrae-SP abre 264 vagas no Programa ALI Produtividade para micro e pequenas da Baixada