A Fuvest 2027 incluiu o livro “Geografia”, de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), entre as leituras obrigatórias. A obra, que une poesia e reflexão sobre a natureza e a sociedade, é uma das mais importantes da autora portuguesa, que foi a primeira mulher a receber o Prêmio Camões.
Em entrevista ao Jornal da USP, o pesquisador Fernando Breda, da Universidade de São Paulo, destaca a relevância da escritora: “Sophia de Mello Breyner Andresen é, sem dúvida, um dos grandes nomes da poesia portuguesa e também da cultura portuguesa como um todo”. Ele ressalta que a autora teve reconhecimento ainda em vida e influenciou diversas áreas culturais.
Breda, que pesquisou a obra da poeta no Porto, explica que ela nasceu em 1919, estudou Filologia Clássica e começou a publicar na década de 1940. “Ela teve uma formação cultural erudita, algo raro para a época”, afirma, lembrando que em 1930 cerca de 61,8% da população portuguesa era analfabeta.
O livro “Geografia”, publicado em 1967, reúne 60 poemas divididos em sete partes. Segundo Breda, a obra reflete o contexto de tensão política do regime salazarista, incluindo a prisão do marido da autora entre 1966 e 1968. “É um livro que conjuga a poética do mar com as contradições do fascismo português”, analisa.
A obra também homenageia o Brasil, com poemas sobre o país, Manuel Bandeira e Brasília. Sophia visitou o Brasil em 1966 e expressou admiração pela língua portuguesa falada aqui. Breda sugere que os vestibulandos observem como a linguagem poética constrói essas imagens.
