O escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), espécie peçonhenta comum no interior paulista, pode sobreviver submerso na água por até 48 horas, o que aumenta o risco de encontros com humanos e animais de estimação em áreas urbanas. A informação foi confirmada pelo biólogo Hélio Pereira, de Sorocaba (SP), que explicou que o aracnídeo entra em estado de dormência, desacelerando o metabolismo e retendo oxigênio para resistir debaixo d’água.
Moradores relatam ter visto escorpiões saindo de ralos e tubulações. “Já visualizei eles saindo do ralo da pia e do ralo do banheiro. Então, para mim, é sabido que os escorpiões realmente conseguem passar por poças de água, por exemplo, pela tubulação do sifão da pia”, contou Reinaldo Silveira, de Sorocaba.
Além da resistência à água, o escorpião-amarelo tem capacidade de reprodução partenogenética, ou seja, as fêmeas podem gerar filhotes sem a fecundação de um macho. “Uma única fêmea pode constituir uma população inteira de uma hora para outra. Ela vai ter, em média, por cria, de 10 a 40 filhotes”, explicou o biólogo. Em uma população de 100 escorpiões, apenas um ou dois são machos.
O acúmulo de lixo favorece a presença de baratas, formigas e moscas, que servem de alimento para os escorpiões. “Se você quer controlar o escorpião, controle o lixo que está produzindo”, orienta Pereira. Apesar dos riscos, o escorpião desempenha papel importante no equilíbrio ambiental, controlando populações de outros animais e servindo de alimento para espécies como o saruê (gambá).
Para os pets, a picada pode ser grave. A médica veterinária Rafaela Souza Sala, de Sorocaba, alerta que cães e gatos devem ser levados imediatamente ao veterinário em caso de suspeita. Não existe soro antiescorpiônico para uso veterinário no Brasil, então o tratamento é feito com controle da dor, estabilização e monitoramento clínico. Filhotes e animais de pequeno porte são os mais vulneráveis.
Em caso de picada em humanos, a orientação é buscar atendimento médico imediato. Crianças de até 12 anos devem ser levadas diretamente ao Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), onde é aplicado o soro antiescorpiônico. Os sintomas incluem dor intensa, que pode se espalhar pelo corpo, e o tratamento deve ser rápido para evitar complicações.