Estradas com áreas de pastagem e agricultura nas margens apresentam maior risco de atropelamento de animais silvestres, incluindo espécies ameaçadas, aponta estudo da Unesp na Rodovia Dom Pedro I.
Pesquisadores analisaram sete anos de dados da rodovia, que liga Jacareí a Campinas, e descobriram que a paisagem ao redor influencia os acidentes. Além das florestas, áreas abertas como pastos e plantações atraem animais generalistas, como capivaras e gambás.
O estudo, publicado na revista Wild, sugere que a instalação de cercas e passagens de fauna deve considerar esses ambientes, não apenas os remanescentes florestais. Atualmente, a decisão prioriza locais com maior incidência de atropelamentos e proximidade de matas.
Na Rodovia Dom Pedro I, foram registradas 24 espécies de médio e grande porte atropeladas, incluindo tamanduá-bandeira, jaguatirica, lobo-guará e onça-parda, todas vulneráveis ou ameaçadas. A capivara, porém, foi responsável por 60% dos casos, representando risco à segurança viária.
O biólogo Francisco de Assis Alves, autor principal, explica que espécies generalistas se adaptam a diferentes paisagens, enquanto as especialistas dependem de habitats específicos. Ele destaca que perder um indivíduo reprodutivo de espécies raras tem grande impacto populacional.
Os pesquisadores mapearam o uso do solo ao redor dos pontos de atropelamento e constataram que áreas agrícolas e de pastagem aumentam a probabilidade de colisões. Isso ocorre porque muitos animais se deslocam por esses locais em busca de alimento ou abrigo.
O estudo pode ajudar a redefinir critérios para instalação de infraestruturas de segurança, especialmente na Mata Atlântica, bioma fragmentado e com diversidade de uso da terra. A Rodovia Dom Pedro I atravessa o Corredor Cantareira-Mantiqueira, importante para a conectividade florestal.
