A Câmara Municipal de São Paulo realizou na noite desta segunda-feira (10/08) um ato solene em alusão aos 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, com o tema “50 Anos Sem JK: O Resgate da Verdade Histórica”. O evento, apoiado pela Presidência do Legislativo, teve como objetivo apresentar estudos e documentos que ampliem a compreensão histórica do período, valorizando o diálogo respeitoso e a pesquisa fundamentada.
A solenidade foi aberta pelo presidente da Câmara, vereador Ricardo Teixeira (UNIÃO), que destacou o papel do Parlamento na promoção do debate público. “É nesse espírito que nos reunimos hoje para recordar os 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, figura de grande importância na história do Brasil, proporcionando um momento de reflexão e de apresentação de diferentes estudos e perspectivas sobre esse período histórico”, afirmou.
Após a abertura, a presidência do evento foi passada ao ex-vereador Gilberto Natalini, que presidiu a Comissão da Verdade Vladimir Herzog. Ele reforçou que a investigação da comissão, concluída em 2014, apontou que a morte de JK foi um atentado político. “Nós levantamos 114 indícios, provas e suspeitas de que JK morreu ‘matado’. Até então, o governo brasileiro admitia que ele morreu em acidente. Nós provamos que não foi acidente, foi uma morte provocada por atentado político”, disse.
O jornalista Ivo Patarra, que foi assessor da comissão, afirmou que o atentado teria relação com as eleições presidenciais de 1978. “Ele seria um candidato fortíssimo nas eleições presidenciais de 1978. Ele era muito popular e respeitado no Brasil. Então, dois anos antes, o regime militar eliminou JK. Eu diria que foi o crime mais grave de toda ditadura militar”, declarou.
A historiadora Maria Cecília Adão, responsável pelo relatório sobre a morte de JK, destacou as fraudes encontradas na investigação original. “Temos elementos que configuram fraudes que foram realizadas no período da investigação. Esse conjunto comprova como a ditadura agia naquele período, fraudando laudos, não fazendo os exames necessários, mudando informações, alterando dados”, explicou.
O amigo e secretário particular de JK, Serafim Melo Jardim, que reabriu o caso em 1996, também participou do evento. “Há 30 anos eu falo que o Juscelino foi assassinado. Ele dizia que a nossa amizade era uma velha tradição de família”, lembrou.
Durante a solenidade, foi exibido o minidocumentário “50 Anos Sem JK: O Resgate da Verdade Histórica”, produzido pela Rede Câmara São Paulo, que reconstitui as circunstâncias da morte do ex-presidente. Além disso, o Centro de Memória da Câmara lançou a exposição “JK, um paulista nascido em Minas”, com imagens e informações sobre a vida pública de Kubitschek, aberta à visitação de segunda a sexta, das 10h às 19h, e aos sábados, das 9h às 17h.
