Um levantamento inédito em grande escala, realizado por pesquisadores da Unesp e colaboradores, identificou os principais fatores que influenciam a chuva de sementes na Mata Atlântica. O estudo, publicado no Journal of Ecology, analisou dados coletados entre 1987 e 2021 em 52 áreas do bioma e concluiu que a precipitação e a cobertura vegetal nativa são determinantes para a dispersão de sementes.
A chuva de sementes é o processo pelo qual sementes caem no solo, transportadas por animais, vento ou gravidade, e é essencial para a renovação das florestas. No entanto, estudá-la em grandes extensões sempre foi um desafio, levando os pesquisadores a focarem em áreas pequenas. Para superar essa limitação, a equipe liderada por Marco Aurélio Pizo, do Instituto de Biociências da Unesp, em Rio Claro, reuniu dados brutos de dezenas de estudos anteriores.
Os resultados mostraram que áreas com maior precipitação e maior quantidade de vegetação nativa apresentam chuvas de sementes mais diversas, especialmente de espécies dispersas por animais (zoocóricas). Um achado importante é que, em uma mesma área, ter vários fragmentos florestais é mais benéfico do que um único fragmento isolado, pois os animais conseguem circular entre eles, transportando sementes e mantendo a diversidade.
“Sem o trânsito dos animais, as sementes não chegam. Com o tempo, as árvores morrem sem reposição, e a floresta se empobrece”, explica Pizo. O estudo também destaca que, apesar da redução recente do desmatamento, a alta fragmentação do bioma exige estratégias de restauração que considerem a conectividade entre os fragmentos.
Para a população, a preservação de áreas verdes, mesmo que pequenas e fragmentadas, é crucial para a manutenção da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. A pesquisa reforça a importância de políticas públicas que promovam a restauração ecológica e a conectividade entre remanescentes florestais.
