A exposição contínua a ruídos de carros, ônibus e trens está associada a um maior risco de doenças neurológicas, como Alzheimer e Parkinson. Pesquisadores dinamarqueses analisaram como a poluição sonora afeta o cérebro e encontraram uma relação preocupante entre o barulho e o aumento do risco dessas condições.
No Brasil, onde 87,4% da população reside em áreas urbanas, conforme dados do IBGE, escapar da poluição sonora é um desafio, especialmente em grandes cidades como São Paulo. Idosos e pessoas que vivem próximas a rodovias ou ferrovias estão entre os grupos mais vulneráveis.
A poluição sonora pode impactar regiões do cérebro responsáveis pela memória e pelas emoções. A professora Sonia Brucki, da Faculdade de Medicina da USP, explica que áreas como os lobos temporais e o córtex pré-frontal são afetadas, prejudicando funções cognitivas essenciais.
Além disso, a exposição a esses ruídos pode desregular substâncias produzidas pelo organismo, afetando neurotransmissores como a dopamina, o que pode agravar condições como o Parkinson. O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que regula a produção de cortisol, também é influenciado, aumentando estados de ansiedade que prejudicam a memória e o aprendizado.
O acúmulo anormal de proteínas tau e beta-amiloide no cérebro, associado ao desenvolvimento da doença de Alzheimer, também pode ser uma consequência da poluição sonora. A poluição atmosférica, resultante de motores a combustão, também está ligada ao aumento do risco de demência.
Para mitigar os efeitos da poluição sonora, a presença de árvores pode ser benéfica, pois ajudam a bloquear o som. Além disso, é fundamental garantir níveis adequados de ruído durante a noite para favorecer um sono reparador, evitando a fragmentação do sono causada por barulhos de caminhões e obras.
Medidas de isolamento acústico nas residências podem ser eficazes para reduzir a exposição ao ruído e preservar a qualidade do sono, contribuindo para a saúde mental e física da população.
