Um adolescente de 17 anos dirigiu um longa-metragem independente de 95 minutos usando apenas um celular, que estreou em um cinema de Bauru (SP). Bryan Lopes, o diretor, gravou a produção por não ter condições financeiras de adquirir equipamentos melhores.
Os maiores cineastas têm acesso às melhores câmeras e maneiras disponíveis de se fazer um filme, como Christopher Nolan, diretor de “A Odisseia”, que filmou o épico inteiro com câmeras IMAX de 70 mm. Mas, não ter acesso a todos esses recursos não impossibilita a criação audiovisual e a possibilidade de chegar às salas de cinema.
Em Bauru (SP), um adolescente de apenas 17 anos dirigiu um longa-metragem independente de 95 minutos usando somente celular e o estreou em um dos cinemas da cidade. Ao g1, Bryan Lopes conta que gravou a produção pelo dispositivo pois não tinha condições financeiras de comprar outros equipamentos.
“Instinto”, filme dirigido por adolescente de 17 anos, estreia em cinema de Bauru — Foto: Divulgação
“A ideia de gravar pelo celular surgiu porque era o equipamento que eu tinha disponível e, como eu queria muito fazer o filme, não queria esperar ter uma câmera profissional para começar”, revela.
Embora tenha se adaptado ao formato pela praticidade, o jovem relata que enfrentou algumas dificuldades voltadas à parte estética e sonora da produção do longa “Instinto”, que acompanha uma investigação de um crime brutal.
O jovem diretor explica que tinha apenas um bastão para a iluminação, então decidiu ambientar a história em filmes dos anos 1940 e 1950, nos quais as investigações eram retratadas em preto e branco.
A história de “Instinto” acompanha o assassinato de Carol, marcado por três pessoas que se tornaram os principais suspeitos: Paula, a melhor amiga da vítima, Pedro, o irmão, e Bruno, um homem misterioso que estava na cena do crime.
O suspense iniciou as gravações em janeiro e passou por dificuldades, como a saída de alguns atores. No entanto, quando retornou aos trabalhos da produção da obra, tudo ocorreu de maneira rápida.
“As gravações começaram em janeiro, mas acabaram sendo paralisadas porque alguns atores saíram do projeto. Então, conseguimos retomar somente em maio e, no final, gravamos o filme em apenas quatro dias”, relembra.
Filme dirigido por jovem bauruense custou R$ 308 reais e foi gravado em 4 dias — Foto: Divulgação
Além disso, “Instinto” não possuía um grande orçamento, justamente por ser um longa-metragem independente.
“Todo o dinheiro veio de alguns bicos que eu fazia para conseguir pagar as coisas das gravações. No total, consegui juntar R$ 308, que foram usados para alimentação dos atores, um bastão de luz, uma prótese de rosto de látex, entre outras coisas”, afirma.
No sábado (8), Bryan exibiu a obra independente em uma das salas de cinema da cidade. Sobre a oportunidade, o jovem se emociona ao lembrar.
Segundo ele, a estreia nos cinemas foi um sonho realizado: “Não consigo nem explicar em palavras. [Foi] tão gratificante, [fiquei] tão feliz e chorei tanto nesse dia.
Bryan Lopes exibiu o filme no Cine’n Fun, em Bauru — Foto: Arquivo pessoal
Quando terminar a escola, onde cursa o Ensino Médio, o adolescente tem um objetivo: o de profissionalizar na área. “Espero que quando eu terminar a escola eu consiga entrar em uma faculdade de audiovisual e melhorar e me especializar muito mais nisso”, acrescenta.
Além de dirigir, ele também tem o desejo de ir para outras frentes do audiovisual, como roteiro e atuação.
De acordo com o bauruense, o contato com o mundo dos filmes veio a partir do avô, que morreu em 2025. “Ele tinha muitos DVDs e gostava muito de assistir. Um dia ele começou a me mostrar alguns filmes e fiquei apaixonado”, destaca.
Ele recorda que pesquisou vídeos de “como criar um filme” no Youtube, além de idealizar as próprias histórias. Aos 7 anos, ele começou a gravar e nunca mais parou.
Diretor contou com ajuda de amigos, que participaram da produção atrás das câmeras e protagonizaram a história — Foto: Arquivo pessoal
Com a estreia da produção independente nos cinemas, Bryan reconhece as dificuldades do setor audiovisual, ainda mais quando o desejo de entrar nesse ramo vem dos aficionados por arte no interior.
Ele frisa que a própria história pode ser um exemplo de que um filme não precisa de equipamentos de ponta para ser realizado.
