A 8ª edição da São Paulo Innovation and Science Diplomacy School (InnSciD SP), realizada na USP entre 10 e 14 de agosto, reuniu pesquisadores, gestores públicos e profissionais para discutir o fortalecimento da cooperação científica global e o papel das instituições de pesquisa no ecossistema de inovação paulista. O evento, sediado no Instituto de Estudos Avançados (IEA), teve como tema central a metaciência e a cooperação científica global.
Durante os cinco dias, a programação incluiu conferências, mesas de discussão e estudos de caso sobre diplomacia científica, relações internacionais e ecossistemas de inovação. O objetivo foi aproximar universidade, governo e setor privado, conectando diferentes perspectivas. A organização foi do Centro de Estudos das Negociações Internacionais do IEA, com apoio da Fapesp.
Um dos destaques foi o debate sobre ecossistemas de inovação locais, realizado em 11 de agosto. Na ocasião, André Carlos Busanelli de Aquino, do Distrito de Inovação de São Paulo, apresentou o projeto que busca transformar a zona oeste da capital em um polo de inovação aberta, integrando universidades, empresas e poder público. “O foco geográfico concentra-se na zona oeste da cidade, aproveitando a alta densidade de talentos e laboratórios de instituições como a USP e o IPEN”, afirmou.
Samo Tosatti, chefe de Assuntos Internacionais do Estado, destacou a força econômica de São Paulo: “O PIB do Estado de São Paulo é de pouco mais de US$ 700 bilhões. É maior do que o PIB da Argentina, do Uruguai e do Paraguai somados.” Ele também citou desafios como a carga tributária e a necessidade de maior abertura comercial.
Marco Antonio Zago, presidente da Fapesp, reforçou o papel do Estado na produção científica nacional: “O Estado de São Paulo publica 40% de todos os artigos científicos do Brasil. Além disso, concentramos 55% das startups do país e respondemos por 42% dos empregos de alta intensidade tecnológica.” Ele destacou o financiamento estável da Fapesp, que usa uma porcentagem fixa da receita tributária estadual.
A segunda mesa debateu a contribuição de institutos de pesquisa para a inovação regional. Ulisses Barres de Almeida, do CBPF, defendeu maior integração entre os países latino-americanos: “Hoje o CLAF tem que olhar para o papel de atuar como um ator regional de diplomacia científica, caso contrário, perderá completamente seu sentido e propósito.” Anderson Ribeiro Correia, do IPT, também participou do debate.
