Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que tanto o treino aeróbico estruturado quanto o aumento da atividade física no dia a dia trazem benefícios semelhantes para o controle da asma moderada a grave. O estudo, publicado na revista Pulmonology, acompanhou 52 adultos que já faziam tratamento medicamentoso otimizado, mas tinham baixo nível de atividade física.
Os participantes foram divididos em dois grupos: um realizou treinamento em esteira duas vezes por semana, com sessões de 45 minutos, durante oito semanas; o outro participou de intervenção comportamental, com encontros semanais para identificar obstáculos e estabelecer metas de aumento de passos, usando um relógio inteligente que alertava após 60 minutos de sedentarismo.
Após o período experimental, ambos os grupos apresentaram melhora no controle da asma e na qualidade de vida, com redução de sintomas de ansiedade e depressão. A melhora se manteve no acompanhamento feito 16 semanas depois, quando os participantes já tinham retomado a rotina habitual.
Os resultados mostraram que 88% dos participantes do grupo de intervenção comportamental e 78% do grupo de treinamento aeróbico atingiram melhora clinicamente significativa no controle da doença logo após as oito semanas. Quatro meses depois, os índices foram de 64% e 63%, respectivamente, sem diferença estatística entre as modalidades.
Segundo David Araújo, primeiro autor do estudo e pós-doutorando da FMUSP, “nenhuma intervenção se sobressaiu à outra”. Ele destaca que as duas estratégias não farmacológicas podem ser complementares ao tratamento médico, mas não substituem a medicação.
O professor Celso Carvalho, orientador da pesquisa, lembra que há 20 anos o exercício era contraindicado para pessoas com asma, mas hoje se sabe que, com avaliação adequada e acompanhamento profissional, a atividade física traz benefícios. Para quem deseja começar, ele recomenda iniciar gradualmente, com cerca de 500 passos a mais por semana, escolher horários mais amenos, manter hidratação e seguir corretamente o tratamento medicamentoso.
O estudo foi financiado pela Fapesp e realizado em parceria com o Instituto do Coração (Incor) e o Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP.