Um estudo conduzido por pesquisadores da Unesp, em parceria com a UFMG e a Universidade Nacional de Córdoba, revelou que as canelas-de-ema, plantas típicas do Cerrado, dependem fortemente de polinizadores para garantir sua reprodução. A pesquisa, publicada na revista Annals of Botany, acompanhou 13 espécies do gênero Vellozia na Serra do Cipó, em Minas Gerais, e constatou que, sem a ação de beija-flores e abelhas, a maioria das espécies não produz frutos ou sementes viáveis.
Durante dois anos, os cientistas isolaram flores em saquinhos de organza para impedir a visita de polinizadores, enquanto outras foram polinizadas manualmente ou deixadas expostas. Os resultados mostraram que sete das 11 espécies avaliadas não produziram frutos ou sementes quando os polinizadores foram excluídos. Em outros casos, as sementes formadas eram de baixa qualidade ou não germinavam, indicando que a polinização animal é essencial para o sucesso reprodutivo dessas plantas.
Os principais polinizadores identificados foram os beija-flores Colibri serrirostris e Chlorostilbon lucidus, além de abelhas sem ferrão do gênero Trigona. A pesquisa também observou que algumas espécies, como Vellozia alata e Vellozia caruncularis, florescem após incêndios, uma adaptação ao fogo recorrente no bioma.
O estudo, financiado pela Fapesp, destaca a importância de mapear e conservar essas espécies, muitas das quais ainda não avaliadas quanto ao risco de extinção. As canelas-de-ema são endêmicas de campos rupestres, ambientes ameaçados por queimadas e mudanças no uso do solo, o que reforça a necessidade de políticas de preservação.