O elevado déficit fiscal e o crescimento da dívida pública brasileira preocupam economistas, que veem riscos para a confiança dos investidores e para o futuro da economia. O déficit nominal está próximo de 10% do PIB, resultado de um déficit primário superior a 1% e de juros que chegam a quase 9% do PIB. Esse cenário acelera o crescimento da dívida, que já supera 80% do PIB.
Segundo o professor Luciano Nakabashi, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP, a manutenção de gastos elevados pressiona a inflação e exige juros mais altos, aumentando ainda mais o custo da dívida. Caso a confiança dos investidores diminua, o país pode enfrentar fuga de capitais, desvalorização do real, queda da bolsa, redução dos investimentos e até uma recessão.
Para os empresários, o cenário de incerteza pode levar à postergação de investimentos e à redução da atividade produtiva. Já os trabalhadores podem sofrer com o aumento do desemprego e a perda do poder de compra, caso a inflação continue elevada e o crescimento econômico desacelere.
O próximo governo deverá enfrentar o problema, provavelmente com corte de gastos e medidas de ajuste, que podem gerar impactos significativos para famílias e empresas. A análise foi apresentada na coluna Reflexão Econômica, que vai ao ar quinzenalmente, às quartas-feiras, às 9h, na Rádio USP.
