O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) divulgou a quarta edição do Neabi Indica, publicação que reúne referências artísticas e culturais africanas, afro-brasileiras e indígenas. O material tem o objetivo de apoiar práticas educativas e ampliar o conhecimento sobre essas culturas.
A nova edição destaca que esses universos culturais produzem saberes próprios, historicamente silenciados pela visão eurocêntrica. A publicação incorpora dimensões como oralidade, corporeidade, ritual, movimento, objetos e adereços, além de valores como coletividade, ancestralidade, resistência e relação com a natureza.
Com a arte como eixo central, a edição reúne referências de artistas, grupos e coletivos negros e indígenas. A proposta é que docentes de diferentes cursos e níveis de ensino do IFSP utilizem o material em suas atividades pedagógicas.
As curadoras Monique Reis e Rosa Amélia Barbosa afirmam que a publicação contribui para práticas educativas baseadas em conhecimentos e cosmopercepções africanas, afrodiaspóricas e indígenas. Elas destacam que o NEABI atua como ponte entre saberes acadêmicos e memórias ancestrais, reconhecendo a arte como território de resistência e reinvenção da história negra e indígena.
A iniciativa está alinhada às Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino de História e Cultura Africana, Afro-Brasileira e Indígena. Também dialoga com a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), reforçando o enfrentamento ao racismo no ambiente educacional.
O Neabi Indica começou em 2016, com referências bibliográficas. A segunda edição trouxe filmes com propostas pedagógicas, e a terceira abordou memória e resistência por meio de biografias. Agora, a quarta edição coloca a arte no centro do debate, reafirmando o compromisso do IFSP com uma educação antirracista e diversa.