Pesquisadores da Unicamp desenvolveram uma nova tecnologia para o tratamento do câncer de bexiga, que promete ser mais eficaz e com menos efeitos colaterais que os métodos convencionais. A solução, chamada ImmunoClor, foi licenciada para a startup Aeter Biotech, criada a partir da pesquisa acadêmica.
O tratamento tradicional do câncer de bexiga utiliza o insumo BCG, que enfrenta problemas de desabastecimento e pode causar efeitos colaterais significativos. A nova tecnologia, produzida 100% com tecnologia brasileira, tem processo de fabricação sintético e escalável, o que garante fornecimento contínuo e padronizado.
O desenvolvimento foi liderado pelo professor Wagner Fávaro, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, em parceria com outros pesquisadores. A startup Aeter Biotech foi fundada por eles e conta com o apoio da Inova Unicamp, que gerenciou o licenciamento da tecnologia.
“O papel da Inova Unicamp foi um divisor de águas. Todo o suporte oferecido na proteção da propriedade intelectual, na negociação do licenciamento e no direcionamento para a fundação da spin-off acadêmica nos deu a segurança jurídica e estratégica necessária para transformar a pesquisa desenvolvida na Universidade em uma solução concreta para a sociedade”, destaca Fávaro.
O câncer de bexiga atinge cerca de 11 mil novos pacientes por ano no Brasil, e o tratamento convencional falha em aproximadamente 50% dos casos. Quando isso ocorre, a alternativa é a remoção cirúrgica total da bexiga, procedimento que traz graves complicações. A nova tecnologia atua com um mecanismo duplo: ativa o sistema imunológico e bloqueia a enzima que desativa as defesas do corpo.
Nos testes em animais, a solução reduziu 84% dos tumores de bexiga. Além disso, a aplicação é local, preservando o órgão e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Os pesquisadores também observaram resultados positivos em tumores cerebrais e veem potencial para outros tipos de câncer.