Em São José do Rio Preto (SP), clínicas veterinárias estão ampliando seus serviços com profissionais especializados, como cardiologistas, oftalmologistas e dermatologistas, para atender problemas cada vez mais específicos dos animais de estimação. A tendência acompanha o crescimento do setor, que deve aumentar 9,6% neste ano, segundo a Abinpet.
Na rotina dessas clínicas, já é comum encontrar exames cardiológicos, acompanhamento dermatológico e oftalmológico. Para muitos tutores, procurar um especialista deixou de ser exceção e virou parte dos cuidados regulares com os pets. O avanço da medicina veterinária permite diagnósticos mais precisos e tratamentos específicos, melhorando a qualidade de vida e a longevidade dos animais.
Um exemplo é a shih-tzu Babalu, que sofre de dermatite atópica, doença inflamatória crônica que causa coceira e vermelhidão. O tutor, Murilo Belucio Loquette, conta que a cadela tem alergias alimentares e ambientais. “É uma questão muito alimentar e ambiental que ela tem alergia. Muita poeira piora bastante a pele. Tento manter a pele dela bem hidratada, principalmente”, disse. O acompanhamento é feito por uma veterinária especializada em dermatologia, o que foi essencial para identificar as causas e o tratamento adequado.
Outro caso é o do cão Black, que tem uma doença cardíaca congênita. O veterinário cardiologista Samuel José Gabriel Filho explica que o defeito está na parte membranosa do septo, o que impede uma cirurgia menos invasiva. “Se esse defeito fosse no meio do septo, a gente conseguiria fazer um procedimento intervencionista no próprio hospital, que é colocar um dispositivo chamado Amplatzer para ocluir esse buraquinho. Com isso, ele teria uma vida normal. Só que o problema dele é na parte membranosa do septo, o que exige uma cirurgia aberta com circulação extracorpórea. Nas condições atuais, ele não suportaria o procedimento”, explicou. Por isso, Black faz tratamento conservador com medicamentos e acompanhamento cardiológico.
O gato Odin, que veio de Poços de Caldas (MG), perdeu a visão do olho direito devido a uma úlcera crônica. Após a mudança, a lesão piorou e passou a atrapalhar a rotina do animal. O tutor, Bruno Bucci, notou o problema e procurou ajuda. “A lágrima ácida causou um machucado no olho e uma secreção mais forte. Notamos que isso estava atrapalhando a rotina dele para brincar, comer e até tomar água. Vimos que era algo mais importante e trouxemos para o veterinário avaliar”, conta. O tratamento é contínuo, com acompanhamento especializado.
O veterinário oftalmologista Felipe Franco Nascimento alerta para a importância de procurar atendimento especializado aos primeiros sinais de problemas oculares. “A saúde oftalmológica dos animais precisa ser acompanhada por um médico veterinário especialista na área. A visão é algo muito delicado e precisamos ser certeiros. Se o tratamento não for feito da maneira correta e no momento adequado, o animal pode ter uma perda irreversível da visão”, alerta.