A exposição ‘Solo, Artes de Viver Só Juntos’, em cartaz no MAC-USP, analisa a crescente presença de pessoas que vivem sozinhas e os impactos dessa mudança na arquitetura e na vida urbana.
Com curadoria de José Lira, Beatriz Colomina e Marco Igleh, a mostra reúne pesquisas acadêmicas e artísticas que questionam a tradicional predominância da família como modelo de referência para a arquitetura doméstica. O professor Guilherme Wisnik destaca que dados apresentados na exposição revelam o aumento de residências destinadas a solteiros em várias partes do mundo, indicando uma mudança significativa de paradigma.
A mostra também resgata exemplos históricos de formas únicas de viver, como a Fazenda Capuava, projetada por Flávio de Carvalho, que reflete um estilo de vida excêntrico. Outro exemplo é o do artista Oskar Kokoschka, que, após sua separação, fez uma boneca em tamanho natural com suas características e passou a circulá-la publicamente.
Além disso, a exposição estabelece um diálogo entre essas experiências passadas e questões contemporâneas, como o avanço da inteligência artificial e a criação de companheiros virtuais. Beatriz Colomina, que já havia explorado a imagem do homem solteiro na exposição ‘Playboy Architecture’, amplia a discussão sobre como os modos de vida evoluem ao longo do tempo e em diferentes contextos.
Para Wisnik, a mostra é “muito heterodoxa, no bom sentido”, e convida o público a refletir sobre as relações entre arte, arquitetura, urbanidade e as perspectivas de passado, presente e futuro das cidades.
A coluna Espaço em Obra, com o professor Guilherme Wisnik, vai ao ar quinzenalmente às quintas-feiras, às 8h, na Rádio USP.