Em maio, 54% dos imóveis residenciais lançados na capital paulista eram de dois dormitórios ou unidades compactas, refletindo a redução do poder de compra das famílias, segundo o professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP.
O especialista explica que, apesar do alto nível de emprego, muitos trabalhadores tiveram queda na renda, especialmente os que migraram para o mercado informal. “Isso explica essa procura por imóveis de valor mais baixo”, afirma.
Nesse cenário, o programa Minha Casa Minha Vida se destaca como alternativa para a casa própria, com financiamento de até R$ 600 mil e possibilidade de cobrir 80% do valor, além de juros mais baixos que outras modalidades.
A tendência deve persistir enquanto a renda média continuar pressionada e o endividamento das famílias permanecer elevado, dificultando financiamentos maiores. A classe C, com demanda significativa por imóveis acessíveis, também impulsiona esse mercado.
Para a construção civil, o cenário é positivo, pois o programa traz previsibilidade e acesso a capital, aumentando a oferta de moradias e gerando empregos. O professor avalia que isso pode contribuir para um ciclo de crescimento econômico, movimentando o setor e estimulando o consumo.