O debate sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 ganhou força no Brasil com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025, apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). A proposta altera o artigo 7º da Constituição para limitar a jornada a oito horas diárias e 36 horas semanais, resultando em quatro dias de trabalho e três de descanso, sem redução salarial.
Atualmente, a Constituição permite até 44 horas semanais, com seis dias de trabalho para um de descanso. A mudança representa uma redução de oito horas na carga semanal e a ampliação do descanso de um para três dias. A PEC nasceu do movimento Vida Além do Trabalho, que coletou quase 800 mil assinaturas em petição pública.
Defensores da proposta argumentam que a redução da jornada, sem cortes salariais, pode trazer benefícios como aumento do consumo e criação de novos postos de trabalho. Experiências internacionais, como na Bélgica, Islândia, Espanha e Japão, mostraram ganhos em produtividade e qualidade de vida, mas também desafios, como a necessidade de novas contratações e aumento de custos.
No Brasil, um programa piloto com 22 empresas, realizado em 2023, indicou resultados positivos: menos faltas, mais engajamento e produtividade elevada. No entanto, especialistas alertam para dúvidas que ainda cercam o tema, como a remuneração dos dias de descanso, a adaptação de setores contínuos (hospitais, indústrias, supermercados) e o impacto da automação no mercado de trabalho.
Para evitar que a medida amplie desigualdades, pesquisadores da USP defendem um planejamento cuidadoso e um debate amplo, considerando os efeitos na informalidade e no desemprego. O episódio do podcast Meio Ambiente e Segurança no Trabalho, que aborda o assunto, contou com a colaboração de Bruno Milhorato Barbosa, pesquisador da USP, e está disponível no site do Jornal da USP.
