Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a produção de plástico cresceu rapidamente, e os resíduos se acumulam no meio ambiente. Atualmente, são produzidas cerca de 400 milhões de toneladas de plástico por ano, e grande parte não é descartada corretamente, podendo se acumular na natureza. Por isso, é essencial entender sua presença, transformação e impactos ambientais.
O Instituto de Pesca (IP-APTA), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, desenvolve pesquisas que ampliam o conhecimento sobre microplásticos em ambientes aquáticos. Essas partículas, com menos de 5 milímetros, espalham-se facilmente e interagem com organismos e ecossistemas. Estudos recentes focam tanto no ambiente marinho quanto em água doce.
Os microplásticos chegam aos rios e mares por efluentes domésticos e industriais, escoamento superficial, atividades humanas e transporte atmosférico. Uma vez na água, distribuem-se por toda a coluna d’água e sofrem transformações físicas, químicas e biológicas. Microrganismos como bactérias e fungos podem colonizar essas partículas e degradar alguns componentes.
No Brasil, estudos já encontraram microplásticos em várias bacias hidrográficas. Na bacia do Rio dos Sinos (RS), foram registrados cerca de 330 microplásticos por litro em águas superficiais. O Rio Amazonas também aparece em levantamentos internacionais sobre transporte de plásticos por rios.
Em relação aos peixes, a ingestão de microplásticos pode causar irritações no sistema digestivo e alterações no comportamento alimentar. “Como o plástico não possui valor nutricional, seu acúmulo também pode dar ao peixe uma falsa sensação de saciedade, fazendo com que ele coma menos e receba menos nutrientes”, explica Katharina Eichbaum Esteves, pesquisadora do IP. Outras pesquisas investigam interações com brânquias e o papel dos microplásticos como vetores de poluentes, como metais e agroquímicos.
Esses estudos ajudam a orientar estratégias de prevenção, como recuperar rios, preservar matas ciliares, melhorar coleta de lixo e saneamento, conscientizar a população e investir em pesquisa. O Centro de Engenharia da Plasticultura (CEP), do qual o IP faz parte, busca tornar o uso de plásticos mais sustentável e circular, desenvolvendo materiais e estratégias de reciclagem e logística reversa.