Gustavo Villatoro, ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, apresentou nesta segunda-feira (31) no Brasil o modelo adotado pelo seu país para combater o crime organizado. Durante a palestra, ele classificou como “manipulação” as acusações de violação de direitos humanos sob o governo de Nayib Bukele.
O modelo de segurança de El Salvador é polêmico, com prisões realizadas sem mandados ou provas, baseadas em denúncias anônimas e após a declaração de Estado de Exceção, que já foi prorrogado mais de 50 vezes. Organizações de direitos humanos denunciam julgamentos coletivos e a perseguição de opositores do governo.
Villatoro rebateu as críticas ao afirmar que as ações do governo refletem a vontade do povo e chamou defensores de direitos humanos de “hipócritas”. Ele defendeu o uso do Estado de Exceção como uma ferramenta constitucional para enfrentar grupos criminosos, afirmando que “não há soluções prontas” nesse contexto.
O evento, promovido pela Fiesp, também teve a presença de candidatos às eleições brasileiras de 2026, incluindo Flávio Bolsonaro, que se reuniu com Villatoro e defendeu um aumento no número de prisões no Brasil.
O modelo de segurança de Bukele, que já resultou na prisão de mais de 91.500 pessoas, tem como principal objetivo o combate às gangues que dominavam o país. O Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), inaugurado em 2023, é um dos símbolos dessa estratégia, com capacidade para 40 mil detentos.
