A crescente busca por segurança e autonomia tem levado mulheres de Ribeirão Preto a se envolverem com artes marciais. Modalidades como Taekwondo, Jiu-Jitsu e Muay Thai são escolhidas não apenas para condicionamento físico, mas também para desenvolver autoconfiança e consciência corporal.
No Centro de Educação Física, Esportes e Recreação (Cefer) da USP, a professora Izabela Guerra Pereira destaca que a presença feminina nas lutas é influenciada pela presença de mulheres como instrutoras. “Acredito que ter o Cefer como um centro concentrando modalidades ajuda e ser mulher dando aulas também faz diferença”, afirma.
Uma pesquisa nacional de 2026 revela que 57,9% das mulheres entrevistadas desejam aprender a lutar para se proteger, e 54% acreditam que a prática aumenta a autonomia. No Cefer, a procura por aulas de Taekwondo por mulheres tem sido constante, segundo Izabela.
Marina Canevazzi, estudante da USP, começou no Taekwondo para melhorar seu condicionamento físico e notou mudanças significativas em sua postura e confiança. “Socialmente, consigo ser mais expansiva e impor limites com mais firmeza”, relata.
A prática de artes marciais também ajuda as mulheres a reagirem melhor em situações desconfortáveis, embora a professora Izabela ressalte que a vulnerabilidade não desaparece. “A gente fica mais segura, mas a questão da vulnerabilidade vai muito além disso”, explica.
Além das habilidades físicas, o acolhimento e o senso de comunidade são essenciais para a permanência das mulheres no esporte. Marina destaca a importância da rede de apoio formada entre as praticantes, que contribui para sua motivação e retorno às aulas.