Em 2025, aproximadamente 2 milhões de brasileiros estavam empregados por meio de aplicativos, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE. A maioria desses trabalhadores atua de forma autônoma, enfrentando jornadas de trabalho mais longas e remunerações inferiores em comparação aos demais ocupados no setor privado.
Do total, cerca de 1,2 milhão utilizam aplicativos de transporte de passageiros, como Uber e 99, representando 58,9% dos trabalhadores plataformizados. Outros 376 mil atuam como entregadores de alimentos e produtos, enquanto 313 mil estão em categorias de serviços gerais, como design e telemedicina.
A pesquisa também aponta que 75% dos trabalhadores no setor de transporte, armazenagem e correios são plataformizados. O IBGE observa que, embora o número total de 2 milhões não seja comparável a anos anteriores devido a mudanças na metodologia, a quantidade de trabalhadores que utilizam aplicativos como ocupação principal cresceu 9,1% em um ano e 36,8% em três anos.
Os dados revelam que, em média, esses trabalhadores têm uma jornada semanal de 44,7 horas, recebendo R$ 16,2 por hora, o que é 12% inferior ao rendimento-hora dos não plataformizados. Além disso, a pesquisa destaca a alta informalidade entre os trabalhadores de aplicativos, com 86,8% se declarando autônomos.
O IBGE também enfatiza a dependência desses trabalhadores em relação às plataformas, com a maioria afirmando que a remuneração e o prazo para tarefas dependem totalmente das empresas que controlam os aplicativos. A situação desses trabalhadores é objeto de discussão no Supremo Tribunal Federal, onde se debate o reconhecimento de vínculo empregatício.
