Mais de 13,5 milhões de pessoas foram deslocadas devido à guerra na Síria, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). A pesquisa desenvolvida por Ana Karolina Morais, no Instituto de Relações Internacionais da USP, analisa a influência dos Estados Unidos e da Rússia no Oriente Médio, destacando a nova dinâmica de conflitos internacionais.
Morais argumenta que a interpretação comum da mídia sobre a guerra na Síria como uma guerra civil não abrange a complexidade do conflito, que é impulsionado por agentes estrangeiros. O conceito de “Guerra por procuração”, descrito por seu orientador, Rafael Antonio Duarte Villa, refere-se ao enfrentamento indireto entre potências em territórios de nações aliadas.
A pesquisa revela que o Oriente Médio, rico em recursos, enfrenta desafios para converter essa riqueza em autonomia política. Historicamente, a região foi controlada pelo Império Turco Otomano e, após a Primeira Guerra Mundial, passou a ser dividida por potências europeias. A influência europeia diminuiu com os movimentos de independência, enquanto os EUA e a antiga União Soviética surgiram como novos aliados.
Com a queda do bloco socialista, os EUA dominaram a política internacional, mas a multipolaridade atual, com a ascensão da China e a recuperação militar da Rússia, redefine o equilíbrio de poder. Ana Karolina destaca que as potências globais utilizam estratégias de interferência indireta para manter ou expandir suas influências.
A guerra na Síria, iniciada em 2011, foi exacerbada por intervenções internacionais, com evidências de financiamento de grupos rebeldes por parte dos EUA. Essa abordagem reflete uma estratégia contemporânea de mudança de regime, onde ações encobertas permitem que potências mantenham uma imagem de benfeitores após a instabilidade.
O conflito sírio, que resultou em centenas de milhares de mortes, exemplifica a reorganização da dinâmica entre potências globais e a luta por influência no cenário internacional, especialmente entre EUA e Rússia.