Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro, a percepção sobre os muçulmanos no mundo mudou drasticamente. Francirosy Campos Barbosa, professora da USP, reflete sobre como sua dissertação de mestrado, que abordava a representação dos muçulmanos, foi impactada por esse evento histórico.
Após os ataques, a imagem do muçulmano passou a ser associada ao terrorismo, intensificando a islamofobia global. A professora relata que, em sua pesquisa, percebeu um aumento no interesse acadêmico sobre o tema, com propostas de estudos e financiamentos surgindo, mas também um aumento nas mensagens de ódio e preconceito.
Barbosa destaca que, apesar de algumas tentativas de apresentar narrativas mais positivas, como a novela ‘O Clone’, os estereótipos negativos persistem. A dor e o preconceito enfrentados pela comunidade islâmica no Brasil foram intensificados, e a necessidade de entender a islamofobia se tornou evidente para muitos pesquisadores.
A professora também menciona que, paradoxalmente, as populações muçulmanas se tornaram as principais vítimas do terrorismo, embora a mídia frequentemente as associe à violência. Essa inversão de papéis, onde vítimas são vistas como suspeitas, alimenta estereótipos prejudiciais.
Por fim, Barbosa enfatiza a importância de discutir o 11 de setembro para compreender as consequências duradouras que afetaram muçulmanos em todo o mundo, ressaltando que a luta contra a islamofobia continua sendo uma prioridade acadêmica e social.