Pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos descobriram que o ‘ruído’ no sistema nervoso é essencial para a diversidade comportamental e pode até contribuir para a criatividade humana. A pesquisa, realizada pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, mostrou que flutuações no potencial elétrico dos neurônios podem indicar a estabilidade dos circuitos responsáveis por funções vitais como andar, comer e respirar.
O estudo, publicado na revista científica Chaos, Solitons and Fractals, pode auxiliar no desenvolvimento de diagnósticos e terapias para doenças do sistema nervoso. O professor Reynaldo Daniel Pinto, do IFSC, explicou que o objetivo foi estudar quantitativamente a estabilidade dos circuitos neurais conhecidos como Geradores de Padrões Centrais (CPGs).
Esses circuitos, presentes em praticamente todos os animais, são responsáveis pela produção automática de ritmos essenciais, permitindo que o cérebro se concentre em outras tarefas. Eles geram comportamentos repetitivos sem a necessidade de pensamento consciente, como andar e respirar.
Os CPGs funcionam de forma autônoma, com o cérebro enviando sinais simples para regular a atividade. A pesquisa destacou que mesmo com um número reduzido de neurônios, os CPGs operam como sistemas complexos, refletindo princípios de funcionamento do cérebro.
Os pesquisadores utilizaram um método chamado ‘dynamic clamp’ para manipular a conectividade de um CPG em crustáceos, demonstrando que a variabilidade necessária para a estabilidade dos circuitos vem do ‘ruído’ intrínseco. Os resultados indicam que a função dos CPGs permanece robusta mesmo após alterações significativas na conectividade.
