Pesquisadores analisaram a evolução da comunicação acústica em grilos arborícolas da família Oecanthidae, revelando que, ao longo do tempo, esses insetos perderam estruturas essenciais para a produção de som. O estudo, parte da tese de Lucas Denadai de Campos, pós-doutorando da USP, foi publicado no Journal of Systematics and Evolution.
A pesquisa envolveu 107 espécies e identificou que a redução na comunicação acústica pode ter sido influenciada pela maior exposição a predadores e mudanças de habitat. Essa evolução gerou variações como os ‘ouvintes silenciosos’, que não produzem som, mas conseguem ouvir, e os ‘cantores surdos’, que emitem som, mas perderam a audição.
Os grilos utilizam o canto principalmente para atrair fêmeas, com o som sendo produzido pelo atrito das asas. Estruturas como a harpa e o espelho ajudam na amplificação do som, enquanto os tímpanos, localizados nas pernas dianteiras, são responsáveis por captar sons do ambiente.
O estudo também revelou que a perda das habilidades acústicas foi interdependente, resultando em linhagens de grilos que se tornaram silenciosos e surdos. Apesar de algumas espécies terem recuperado o tímpano, as estruturas acústicas não retornaram, indicando que a comunicação acústica não foi restabelecida em grupos que a perderam ao longo da evolução.
Além do canto, os grilos também se comunicam por meio de sinalizações vibratórias, utilizando vegetações ou seu próprio corpo para produzir sinais. Essa pesquisa destaca a diversidade de formas de comunicação entre os grilos e sua relevância para o entendimento da evolução da comunicação acústica.