A Universidade de São Paulo (USP) acolhe por um ano a artista visual Denise Ferreira da Silva, que irá investigar as experiências do Programa Luz Negra em diálogo com o projeto Cosmopolíticas do Cuidado, da Escola de Saúde Pública (FSP).
Denise, professora titular da Cátedra Samuel Rudin de Humanidades na Universidade de Nova York (NYU), é reconhecida por sua trajetória que une filosofia, pensamento anticolonial feminista negro e práticas artísticas. Autora de obras como ‘Unpayable Debt’ (2024) e ‘Toward a global idea of race’ (2007), sua pesquisa questiona as formas tradicionais de produção de conhecimento e analisa como injustiças sociais e raciais perpetuam desigualdades.
O conceito de luz negra, desenvolvido por Denise, serve como uma ferramenta para pensar e criar a partir de uma perspectiva feminista negra, abordando a racialidade como ponto de partida para examinar subjugação e imaginar novas formas de existência coletiva.
O Programa Luz Negra de Estudos Subcomuns, que Denise coordena há seis anos com a Rede de Solidariedade da Zona Oeste do Rio de Janeiro, explora práticas coletivas de estudo, cuidado e autodefesa, em diálogo com os estudos subcomuns, uma ideia proposta por Fred Moten e Stefano Harney.
No âmbito da USP, Denise irá sistematizar metodologicamente as práticas do Programa Luz Negra, conectando-as com as pesquisas do projeto Cosmopolíticas, que reúne pesquisadores de antropologia, arte e saúde para discutir diferentes formas de cuidado e conhecimento.
As iniciativas compartilham questões sobre cuidado, autonomia e produção de conhecimento, buscando formas de cuidado que transcendem modelos hegemônicos. A chegada de Denise à USP promete aprofundar essas conversas e criar um espaço de intercâmbio ao longo do ano.
O projeto Cosmopolíticas do Cuidado no Fim do Mundo recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).