O hematologista Fernando Ferreira Costa, ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirmou que o Brasil precisa de mais pesquisadores para aumentar suas chances de ganhar um Prêmio Nobel. Em entrevista ao Centro de Memória FAPESP, ele destacou a importância de ter mais grupos de pesquisa na área de hematologia, que já conta com profissionais qualificados.
Costa relembrou sua experiência durante o pós-doutorado no laboratório de Bernard G. Forget, na Escola de Medicina de Yale, entre 1987 e 1989. Ele aprendeu a aplicar metodologias de biologia molecular em suas pesquisas sobre anemia falciforme, um tema que já estudava desde o doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).
O ex-reitor também enfatizou que a colaboração entre pesquisadores é fundamental. Na década de 80, diversos laboratórios, como os de Yale, Johns Hopkins e Boston, competiam para identificar o gene relacionado à anemia falciforme, mas também colaboravam entre si. “Eram competidores, mas colaboravam entre si”, afirmou.
Em sua trajetória, Costa publicou importantes estudos, incluindo a descrição da proteína anquirina, enquanto Peter Agre, de Baltimore, descobriu as aquaporinas, que lhe renderam o Nobel de Química em 2003. “Você precisa ter gente boa e bastante gente trabalhando para ser capaz de descobrir coisas novas”, concluiu.
A médica Sara Olalla Saad, professora titular de Hematologia da Unicamp e ex-aluna de Costa, também participou da entrevista.
