Piracicaba, interior de São Paulo, teve o inverno mais chuvoso dos últimos 110 anos, segundo dados da Estação Meteorológica da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP. O volume de precipitação superou o recorde anterior de 1927, que foi de 350,5 milímetros.
O professor Fabio Marin, da Esalq, alerta que o volume de chuvas deste ano não pode ser diretamente ligado ao fenômeno El Niño. Embora haja anos com precipitações elevadas que coincidiram com episódios fortes de El Niño, a relação não é conclusiva, já que outros episódios do fenômeno não resultaram em chuvas significativas na região.
A chuva intensa traz efeitos variados para a agricultura, dependendo do estágio de cada cultura. Marin destaca que a alta precipitação favorece a vegetação e reabastece reservatórios, criando condições favoráveis para as safras futuras. No entanto, produtores de café e cana-de-açúcar enfrentam atrasos na colheita, o que pode impactar a produção atual.
Apesar do volume recorde, as chuvas foram distribuídas ao longo dos três meses, evitando eventos extremos que poderiam causar danos. Essa distribuição é benéfica, pois permite um melhor aproveitamento da água, reduzindo os riscos associados a chuvas intensas.
Para os próximos meses, modelos climáticos indicam a possibilidade de chuvas acima da média em São Paulo. Contudo, a variabilidade climática dificulta previsões precisas. A expectativa é que a maior disponibilidade de água beneficie o plantio de grãos e favoreça as safras de 2027.
