No último encontro realizado no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP, especialistas discutiram a relevância da Carta de Veneza, documento de 1964 que aborda a preservação de monumentos históricos. O evento, que contou com a participação da pesquisadora Beatriz, destacou a importância de revisitar esse texto em meio às transformações contemporâneas no conceito de patrimônio.
Beatriz enfatizou que a leitura da Carta deve ir além da defesa imediata de suas diretrizes, buscando entender o contexto histórico e os debates que a cercaram. Segundo ela, a idade do documento não o torna obsoleto, e sua permanência no debate atual deve ser analisada criticamente.
A pesquisadora também apontou que, embora a Carta de Veneza tenha raízes em um debate predominantemente europeu, sua aplicação deve considerar as particularidades culturais de cada nação. O documento estabelece diretrizes que devem ser adaptadas ao contexto local, ressaltando a responsabilidade de cada país na implementação dos princípios acordados.
Durante a discussão, Beatriz observou que a interação entre as disciplinas de projeto e as cartas patrimoniais na FAU ainda é limitada. Ela destacou a importância de uma formação que integre a preservação do patrimônio nas práticas projetuais, mencionando a experiência de uma disciplina interdepartamental que busca unir teoria e prática na preservação.
Por fim, Beatriz alertou sobre a necessidade de um retorno às fontes originais ao se discutir a Carta de Veneza, especialmente em um momento em que se cogita sua revisão. Ela defendeu que o foco deve ser a integração e o aprofundamento dos debates, em vez de uma simples substituição do documento.
