A combinação de conflitos internacionais, aumento nos preços dos fertilizantes e mudanças climáticas ameaça a estabilidade do sistema alimentar brasileiro. As guerras não impactam apenas os países diretamente envolvidos, mas também comprometem o fornecimento de alimentos e o acesso aos insumos necessários para a produção.
A guerra entre Rússia e Ucrânia, por exemplo, destaca a vulnerabilidade do Brasil, que depende fortemente de fertilizantes importados. Segundo o professor Paulo Sérgio Pavinato, da Esalq/USP, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no Brasil são provenientes do exterior, tornando o país suscetível a oscilações de mercado e dificuldades logísticas.
Durante o conflito, a alta nos preços dos fertilizantes foi acentuada, com o enxofre, matéria-prima essencial, passando de US$ 120 a mais de US$ 1.100 por tonelada. Essa situação tem afetado a indústria nacional, como exemplificado pela Mosaic, que já colocou algumas de suas unidades em hibernação devido aos altos custos.
Para mitigar essa dependência, o Brasil lançou em 2022 o Plano Nacional de Fertilizantes, visando reduzir a importação de insumos para 50% até 2050. No entanto, a produção nacional de fertilizantes ainda enfrenta limitações, como a disponibilidade de rochas fosfatadas de alta qualidade.
A segurança alimentar do Brasil, que é um grande produtor agrícola, está, portanto, atrelada não apenas à quantidade de alimentos produzidos, mas também à capacidade de garantir insumos de forma contínua. A dependência de matérias-primas importadas representa um risco significativo em tempos de instabilidade internacional.
