Para entender a lógica do PISA, é fundamental considerar a natureza da OCDE, que não é uma entidade humanitária da ONU, mas um clube econômico criado após a Segunda Guerra Mundial para coordenar o desenvolvimento capitalista. A inclusão da organização na avaliação educacional visou atender à demanda do mercado por quantificação e comparação do ‘capital humano’ entre nações, gerindo a educação sob a ótica da eficiência fiscal e da preparação para a economia globalizada.
O primeiro relatório do PISA estabeleceu uma metodologia que permanece até hoje, focando no conceito de ‘letramento’. A prova avalia a capacidade de jovens de 15 anos em aplicar conhecimentos de Leitura, Matemática e Ciências em situações do cotidiano, com ênfase inicial na Leitura. Na primeira edição, Finlândia e Japão destacaram-se como líderes educacionais.
Enquanto o Japão e a Coreia do Sul alcançam altas posições no PISA através de sistemas educacionais rigorosos e competitivos, a Finlândia apresenta um modelo alternativo que prioriza a equidade e o bem-estar, com jornadas curtas e ênfase no brincar e na autonomia do aluno. Esse modelo demonstra que o sucesso cognitivo pode ser alcançado sem o esgotamento dos estudantes.
Os Estados Unidos, que historicamente se basearam em atividades escolares voltadas para os temas dos testes, ficaram atrás da Finlândia. Isso levou educadores a reconsiderarem suas abordagens, percebendo que ‘treinar’ em vez de educar e adotar práticas de mercado não resultam em bom desempenho escolar.
O Brasil participou da primeira edição do PISA como país convidado, apresentando resultados preocupantes: ficou em antepenúltimo lugar em Leitura e último em Ciências e Matemática entre 32 nações avaliadas. Essa situação é agravada pela estrutura federativa do país, onde a educação dos jovens de 15 anos é responsabilidade de estados e municípios, enquanto a União tem apenas uma função regulatória.
O relatório de 2001 marcou o início do ‘ilusionismo gerencial’ na educação brasileira. Ao adotar o PISA, o Brasil validou uma métrica internacional que ignora as profundas desigualdades socioeconômicas do país. O PISA, ao ser aplicado em contextos periféricos, tornou-se uma ferramenta para justificar políticas neoliberais, sem abordar as raízes da desigualdade educacional.
