A saúde mental de meninas adolescentes apresenta diferenças significativas em comparação aos meninos, conforme dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo IBGE. Os dados revelam que 25% das meninas afirmaram ter sentido que a vida não valia a pena, em contraste com 12% dos meninos. Além disso, 43,4% das meninas relataram vontade de se machucar intencionalmente, contra 20,5% dos meninos.
O professor Sérgio Kodato, da USP, destaca que as diferenças na educação de meninos e meninas influenciam a maneira como lidam com emoções. Enquanto os meninos recebem validação para expressar raiva e frustração, as meninas são incentivadas a serem cuidadosas e pacíficas, o que pode levar a uma autodepreciação e pensamentos negativos.
As expectativas sociais em relação ao comportamento e à aparência das meninas podem gerar uma sensação de inadequação. A pressão para corresponder a padrões de beleza e comportamento pode ser intensa, resultando em sentimentos de inferioridade e frustração.
As redes sociais também desempenham um papel importante nesse contexto, amplificando a comparação entre os adolescentes. A exposição a imagens editadas da vida de outras pessoas pode aumentar a autocobrança e a sensação de não atender às expectativas sociais.
É fundamental que as escolas identifiquem sinais de sofrimento emocional, como mudanças de comportamento e isolamento. Professores devem acolher os alunos e encaminhá-los para atendimento profissional quando necessário, sem banalizar suas preocupações.
O diálogo nas famílias é igualmente importante. O professor Kodato sugere que os adultos devem ouvir os adolescentes, substituindo julgamentos por uma escuta atenta. A compreensão das diferenças no sofrimento emocional entre meninos e meninas é essencial para promover um ambiente de apoio e desenvolvimento saudável.