Pesquisadores da Unesp estão utilizando isótopos de água para ajudar na previsão de secas na Amazônia. O estudo analisa variações isotópicas na região de Manaus entre 2023 e 2025, permitindo compreender os processos de evaporação e precipitação.
A pesquisa, parte do doutorado de Rafaela Rodrigues Gomes, revela que condições quentes e secas favorecem a formação de vapor, enquanto climas úmidos estão associados à chuva. A análise dos isótopos de água pode indicar períodos de seca ao mostrar a presença de isótopos pesados.
O estudo foi publicado na revista Hydrological Processes e contou com a colaboração de instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Universidade do Texas. Financiado pela Fapeam e Fapesp, o projeto coletou 207 amostras de chuva e dados climáticos para entender a dinâmica da precipitação na Amazônia.
Os pesquisadores observaram que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) influencia a chuva em Manaus, e que a movimentação de sistemas atmosféricos pode alterar a quantidade de isótopos na água da chuva. Durante o período seco, as chuvas tendem a ser mais enriquecidas em isótopos pesados, enquanto em períodos chuvosos, a água apresenta isótopos mais leves.
O estudo também comparou dados recentes com informações históricas, revelando que os valores isotópicos atuais são significativamente mais enriquecidos em isótopos pesados em relação a análises anteriores realizadas entre 1965 e 1990.
