As candidatas mulheres estão sendo alvo de um número crescente de ofensas e ataques nas redes sociais, conforme aponta um levantamento do Projeto MonitorA, que analisa a violência política de gênero nas plataformas digitais. Entre 16 e 24 de agosto deste ano, seis em cada dez ofensas registradas foram direcionadas a candidatas ao Senado.
A professora Daniela Osvald Ramos, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, explica que as agressões são influenciadas pelo machismo e pela misoginia estrutural. As redes sociais, segundo ela, têm um viés que favorece a violência de gênero, promovendo conteúdos que incentivam ataques.
“As plataformas promovem conteúdos conflituosos, fazendo com que as pessoas se sintam compelidas a atacar o outro, criando um ciclo de violência”, afirma a professora. Ela também destaca que esses ataques não se limitam à atuação política das mulheres, mas frequentemente atacam sua aparência, sexualidade, identidade de gênero e até familiares.
Os algoritmos das redes priorizam conteúdos que geram maior interação, o que pode amplificar mensagens de ódio e violência. A falta de regulamentação específica para ataques políticos de gênero contribui para que esses conteúdos se espalhem ainda mais.
A violência política de gênero também é afetada por outros fatores sociais, como raça e identidade de gênero, tornando mulheres em situações de interseccionalidade alvos ainda mais vulneráveis. Esse ambiente hostil pode impactar a saúde e o bem-estar das mulheres, além de dificultar sua participação na política.
