quarta-feira, 07 de outubro de 2026
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Correspondência e Eternidade: Cartas de Murilo Mendes Revelam sua Arte e Espiritualidade

Correspondência e Eternidade: Cartas de Murilo Mendes Revelam sua Arte e Espiritualidade
Correspondência e Eternidade: Cartas de Murilo Mendes Revelam sua Arte e Espiritualidade
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O poeta mineiro Murilo Mendes (1901-1975) é o foco do livro “Correspondência e Eternidade: Cartas de Murilo Mendes a Alceu Amoroso Lima e Outros”, organizado pelo professor Leandro Garcia Rodrigues da UFMG. A obra, recém-lançada pela Editora da USP, reúne cartas, bilhetes e reflexões que revelam a profundidade do pensamento do autor, um dos grandes nomes do Modernismo brasileiro.

Rodrigues apresenta uma análise detalhada das correspondências, que não apenas conectam Mendes a Alceu Amoroso Lima (1893-1983), mas também a outros autores e contextos, ampliando a compreensão sobre sua relação com arte, espiritualidade e sociedade. A pesquisa é um esforço monumental que utiliza a metodologia do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, onde Rodrigues integra o Núcleo de Estudos de Epistolografia Brasileira.

O título do livro remete à obra “Tempo e Eternidade”, coescrita por Mendes e Jorge de Lima. A conversão de Mendes ao catolicismo é um tema central, e Rodrigues destaca a escassez de estudos sobre o impacto da fé na literatura brasileira. O autor também traça paralelos com outros escritores convertidos, como Dostoiévski e Paul Claudel, embora reconheça a diversidade das experiências de conversão.

Além das cartas, o livro traz uma análise da influência de Ismael Nery (1900-1934) na religiosidade de Mendes, revelando aspectos pouco conhecidos da vida do pintor e pensador. A correspondência entre Mendes e Amoroso Lima abrange de 1930 a 1974, e suas trocas refletem uma profunda amizade e entendimento mútuo.

Infelizmente, um incêndio destruiu as cartas enviadas a Mendes, mas algumas cópias foram preservadas, permitindo que o leitor tenha acesso a esse diálogo rico e significativo. A obra de Rodrigues não só ilumina a vida e obra de Murilo Mendes, mas também contribui para a discussão sobre a intersecção entre literatura e espiritualidade.

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