Um estudo da Universidade de Oxford, envolvendo quase 1 milhão de pessoas, revelou que o consumo frequente de bebidas muito quentes pode triplicar o risco de desenvolver câncer de esôfago, especificamente o carcinoma de células escamosas.
O carcinoma epidermoide, que se origina nas células que revestem o esôfago, tem sua incidência aumentada em 71% entre aqueles que consomem seis ou mais bebidas quentes diariamente. O professor Ulysses Ribeiro Júnior, da Faculdade de Medicina da USP, explica que o câncer pode se espalhar a partir da mucosa do esôfago, progredindo para camadas mais profundas.
A relação entre a temperatura das bebidas e o câncer ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que o calor excessivo cause lesões na mucosa, facilitando a ação de substâncias cancerígenas presentes no álcool e no tabaco. Os sintomas do câncer de esôfago muitas vezes não aparecem até que a doença esteja em estágios avançados.
O carcinoma de células escamosas é o tipo mais comum de câncer de esôfago no Brasil, associado a fatores como tabagismo e consumo de álcool. No Sul do país, onde o chimarrão é amplamente consumido, a incidência é significativamente maior. Um estudo da UFRGS revelou que 97,2% dos entrevistados em Taquara consomem chimarrão diariamente, com 72% ingerindo a bebida a temperaturas superiores a 60°C.
Para reduzir os riscos, especialistas recomendam esperar a bebida esfriar antes de consumir. O estudo sugere que substituir bebidas “muito quentes” por “quentes” poderia prevenir cerca de 14% dos casos de carcinoma de células escamosas.
