Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a USP analisou a religiosidade de pessoas em situação de rua que usam drogas no Brasil e em Portugal. O estudo, que envolveu 40 participantes, mostrou que a religiosidade se manteve presente durante o uso de substâncias, e em alguns casos, até se intensificou como uma forma de ‘proteção subjetiva’.
Os resultados desafiam a ideia comum de que a dependência de drogas está relacionada à falta de religiosidade, revelando que muitos usuários acreditam que sua fé os protege de riscos associados ao consumo. A psicóloga Camila Chagas, responsável pela pesquisa, destacou que essa crença pode levar a comportamentos de risco, como a partilha de objetos durante o uso de drogas, sob a suposição de proteção divina.
A pesquisa também identificou que muitos participantes se sentiam inadequados para frequentar instituições religiosas, especialmente os portugueses, que relataram desconforto com o catolicismo. Chagas enfatiza que é fundamental tratar cada caso de dependência de forma individualizada, já que nem todos os usuários desenvolvem transtorno por uso de substâncias (TSU).
O estudo ainda comparou as políticas de drogas entre Brasil e Portugal, revelando que o modelo português, que prioriza a redução de danos, é considerado mais eficaz do que o enfoque brasileiro, que muitas vezes exige abstinência total. Essa diferença de abordagem pode influenciar as percepções e experiências dos usuários em recuperação.