O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 foi concedido ao norte-americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel “por suas descobertas sobre canais iônicos controlados por luz e a optogenética”. Suas pesquisas aprofundaram a compreensão de como o cérebro armazena memórias, sentimentos e comportamentos.
Hegemann e Nagel identificaram a canalrodopsina, uma proteína fotossensível encontrada em algas unicelulares, enquanto Deisseroth desenvolveu um método para controlar essa proteína com luz, estabelecendo as bases da optogenética.
O desafio de entender como o cérebro, com seus 1,3 kg, gera fenômenos complexos como memória e emoções foi abordado por meio da optogenética, que permite ativar e desativar células específicas do cérebro com precisão.
“A optogenética oferece oportunidades para mapear o cérebro de uma forma que antes só podíamos sonhar”, afirmou Per Svenningsson, presidente do Comitê do Nobel. Os laureados dividirão um prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6,3 milhões.
Rafael Carvalho Almada, pesquisador da Unesp, destacou que antes da optogenética, a pesquisa cerebral dependia de estimulação elétrica ou intervenções farmacológicas, que eram menos precisas. A nova técnica revolucionou a investigação ao permitir o controle de populações neuronais em milissegundos.
A ideia de manipular células nervosas com luz foi inicialmente proposta por Francis Crick, que imaginou que a velocidade dos sinais nervosos exigiria uma abordagem luminosa. Hegemann, ao estudar a alga Chlamydomonas, descobriu que ela respondia rapidamente à luz, levando à identificação da canalrodopsina.
Com a colaboração de Georg Nagel, Hegemann testou genes da alga em células de rã, confirmando que as proteínas funcionavam como canais iônicos ativados pela luz. Em 2005, Deisseroth aplicou a canalrodopsina-2 em células nervosas de ratos, transformando a teoria em prática e dando origem à optogenética.
