quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Postado emSão Paulo, Tecnologia

Nobel de Medicina 2026 premia avanços em optogenética e canais iônicos

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Nobel de Medicina 2026 premia avanços em optogenética e canais iônicos
Nobel de Medicina 2026 premia avanços em optogenética e canais iônicos

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026 foi concedido ao norte-americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel “por suas descobertas sobre canais iônicos controlados por luz e a optogenética”. Suas pesquisas aprofundaram a compreensão de como o cérebro armazena memórias, sentimentos e comportamentos.

Hegemann e Nagel identificaram a canalrodopsina, uma proteína fotossensível encontrada em algas unicelulares, enquanto Deisseroth desenvolveu um método para controlar essa proteína com luz, estabelecendo as bases da optogenética.

O desafio de entender como o cérebro, com seus 1,3 kg, gera fenômenos complexos como memória e emoções foi abordado por meio da optogenética, que permite ativar e desativar células específicas do cérebro com precisão.

“A optogenética oferece oportunidades para mapear o cérebro de uma forma que antes só podíamos sonhar”, afirmou Per Svenningsson, presidente do Comitê do Nobel. Os laureados dividirão um prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6,3 milhões.

Rafael Carvalho Almada, pesquisador da Unesp, destacou que antes da optogenética, a pesquisa cerebral dependia de estimulação elétrica ou intervenções farmacológicas, que eram menos precisas. A nova técnica revolucionou a investigação ao permitir o controle de populações neuronais em milissegundos.

A ideia de manipular células nervosas com luz foi inicialmente proposta por Francis Crick, que imaginou que a velocidade dos sinais nervosos exigiria uma abordagem luminosa. Hegemann, ao estudar a alga Chlamydomonas, descobriu que ela respondia rapidamente à luz, levando à identificação da canalrodopsina.

Com a colaboração de Georg Nagel, Hegemann testou genes da alga em células de rã, confirmando que as proteínas funcionavam como canais iônicos ativados pela luz. Em 2005, Deisseroth aplicou a canalrodopsina-2 em células nervosas de ratos, transformando a teoria em prática e dando origem à optogenética.

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