O Super El Niño, fenômeno meteorológico que se intensifica no Oceano Pacífico, é considerado um dos maiores riscos climáticos para a agricultura brasileira nas safras de 2026 e 2027. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que seus efeitos sejam sentidos até fevereiro de 2027, com probabilidade próxima a 100%.
De acordo com Augusto Pereira Filho, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, o fenômeno causa uma condição de ar descendente sobre a Amazônia, dificultando a formação de tempestades e provocando uma diminuição das chuvas na região. Essa redução de precipitação pode afetar a umidade que se desloca para o Sul e Sudeste do Brasil, onde se espera um aumento das chuvas.
Fábio Marin, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, destaca que a produção agrícola em Mato Grosso pode ser impactada, com a soja do norte do estado enfrentando uma leve queda na chuva. Em contrapartida, as regiões Sul e Sudeste devem se beneficiar de um aumento nas precipitações, o que pode equilibrar a produção nacional.
Marin também menciona que a situação é diferente no Nordeste, onde a influência do Oceano Atlântico pode atenuar os efeitos do El Niño. Ele ressalta que a agricultura irrigada na região pode se adaptar melhor às variações climáticas, enquanto a resiliência da agricultura brasileira em geral permite que o setor enfrente esses desafios climáticos sem perdas substanciais.
Pereira Filho enfatiza a importância de ações coordenadas entre os governos para mitigar os efeitos do El Niño, ressaltando que o monitoramento climático é essencial para reduzir perdas materiais e humanas em cenários de variabilidade climática.
